Sequestro de jovem de SP que fugiu de cativeiro no RJ foi inventado, diz polícia

De acordo com delegado, a adolescente de 16 anos fugiu de casa em Guarulhos, teve um caso com traficante e inventou crime para se vingar dele

Anderson Dezan , iG Rio de Janeiro |

Na semana passada, um episódio chamou a atenção no noticiário. Uma adolescente de 16 anos sequestrada em Guarulhos, na Grande São Paulo, conseguiu fugir do cativeiro no município de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio, após ficar mais de um mês a mercê de criminosos. Nesta terça-feira (9), a Polícia Civil fluminense chegou à conclusão de que essa versão contada pela jovem é uma farsa. De acordo com o delegado Júlio Cesar Vasconcellos, da 50ª DP (Itaguaí), a adolescente fugiu de casa e inventou a história para se vingar de um traficante com quem teve um caso.

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“A jovem montou tudo isso. Ela fugiu de casa e não deu satisfações à mãe. Ainda se colocou na história como vítima”, disse o delegado, ao iG . Segundo Vasconcellos, a versão contada na semana passada pela suposta vítima já era considerada estranha e por isso começou a ser investigada. A conclusão final de que tudo se tratava de uma mentira ocorreu quando a mãe da adolescente contou na delegacia de Guarulhos uma versão diferente da que tinha relatado na 50ª DP. “Lá a mãe disse que a filha tem problemas de cabeça e que essa não foi a primeira vez que ela fugiu”, contou.

A versão original informava que a adolescente de 16 anos tinha sido sequestrada no dia 26 de agosto em Guarulhos com outra jovem desconhecida. A dupla foi colocada no porta-malas de um carro e levada para Itaguaí. Na madrugada do último dia 4 de outubro, ela teria fugido por uma mata durante um momento de distração dos supostos sequestradores e acabou encontrando um posto da Polícia Rodoviária Federal. Seu relato ainda sustentava que seus cabelos haviam sido cortados pelos sequestradores e um deles teria abusado sexualmente dela.

Michael Gouveia Ramos da Silva, o China, suposto líder do tráfico de drogas nas comunidades da Mangueirinha e da Ponte Preta, e seu comparsa Emerson Luis Borges de Amorim, o Cabelinho, foram presos na ocasião e a primeira linha de investigação apontava que o crime teria sido motivado por vingança . A mãe da adolescente disse aos policiais que tem um irmão dependente químico e ele estaria devendo aos criminosos. O paradeiro da outra adolescente supostamente sequestrada era desconhecido.

“Era tudo confuso. A menina disse que veio no porta-malas com outra adolescente e trafegou 450 km ao lado de armas e drogas. Passou duas semanas no mesmo cativeiro e sequer soube informar o nome da outra menina”, analisou o delegado. “Ouvimos moradores de Itaguaí e descobrimos que ela tinha uma ficha cadastrada em uma lan house e que foi vista em uma padaria bebendo cerveja”.

A conclusão final é de que a menina fugiu de casa, em Guarulhos, sem avisar a mãe. Uma investigação ainda em andamento aponta que ela pegou carona com dois caminhoneiros para chegar ao Estado do Rio. Em Itaguaí, ela foi acolhida por alguns moradores das comunidades da Mangueirinha e da Ponte Preta e depois pelo traficante China, com quem iniciou um relacionamento amoroso.

Em uma festa na favela, a adolescente acabou traindo o criminoso com outro homem, deixando-o furioso. “Para puni-la, ele deu uns tapas nela e ainda cortou o seu cabelo”, contou o delegado. Irritada, a jovem fugiu e inventou o sequestro para se vingar do namorado criminoso. “Em São Paulo, ela contou que a mãe é usuária de drogas e que por isso fugiu de casa. Cada hora, uma nova versão é criada”.

A versão da mãe de que tinha recebido um telefonema com ameaças para o irmão dependente de drogas também está sendo apurada. Vizinhos e colegas da jovem supostamente sequestrada vão ser ouvidos em Guarulhos. Se for provada que a ligação telefônica também não ocorreu, a mulher vai responder criminalmente por isso. Já a jovem de 16 anos, por ser menor de idade, vai responder pelos fatos análogos aos crimes de falsa comunicação de crime e denunciação caluniosa. Ela será encaminhada ao juízo da Vara da Infância e da Juventude de São Paulo.

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