Chega a dez o número de mortos em Mesquita, na Baixada Fluminense

Corpo de jovem desaparecido desde sábado foi localizado em um campo do Exército

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Já são dez os mortos na onda de violência no município de Mesquita, na Baixada Fluminense, no último fim de semana. No final da tarde desta quinta-feira (13) o corpo de José Aldecir da Silva Junior, desaparecido desde sábado, foi localizado no Campo de Instrução de Gericinó (CIG), do Exército, situado ao lado da Favela da Chatuba. O local era utilizado como refúgio pelos traficantes, que mantinham um acampamento dentro da mata .

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José Aldecir da Silva Junior foi identificado por uma tatuagem no antebraço esquerdo e pelas roupas, descritas pelos familiares que acompanhavam as buscas desde a última segunda-feira. O corpo tinha marcas de tiros na cabeça. Ele estava desaparecido desde sábado pela manhã, quando saiu para passear pelo parque com seu pássaro. Testemunhas afirmaram que ele foi agredido e capturado pelos traficantes.

Seu pai, José Aldecir da Silva, acompanhou as buscas dos policiais desde a terça-feira. "Passaram a esperança de que ele ainda estivesse vivo. Tiraram um pedaço do meu coração", disse, emocionado. Junior deixou uma esposa grávida de nove meses. Antes de sair de casa, no sábado, ele teria dito à mãe que voltaria para preparar o berço da filha, chamada de Emily Vitória, que pode nascer a qualquer momento. "Meu filho nunca fez mal a ninguém", disse, desolada, a mãe do jovem, que não quis se identificar.

Prisões

A Polícia Civil também apresentou nesta quinta-feira dois menores suspeitos de participar da chacina. Conhecidos como Bola, de 15 anos, e Foca, de 16, eles seriam gerentes do tráfico, segundo o delegado responsável pelo caso, Júlio da Silva Filho. Eles já tinham passagens na polícia por envolvimento com o tráfico. Para o delegado, os dois "tiveram participação ativa" nos crimes. "Na estrutura do tráfico, eles são graduados e têm poder de decisão".

Os suspeitos negam envolvimento no crime. A mãe de Foca, que não quis se identificar, revelou que o filho estava foragido de uma casa de detenção de menores desde maio. Ele teria ligado para ela e pedido apoio para se entregar, pois temia a ação dos policiais. Foi apreendido pela manhã na casa dela, no bairro de Jacutinga. Já Bola foi preso na casa de uma tia na Chatuba.

O delegado afirmou ainda que os menores também teriam envolvimento com a morte do pastor Alexandre Lima, de José Aldecir Junior e também do cadete da PM morto no sábado . "São fatos isolados, mas os autores são os mesmos".

De acordo com as investigações, os traficantes teriam confundido os seis jovens mortos com integrantes de facções rivais do tráfico de Nilópolis, cidade vizinha à de Mesquita. Já as demais vítimas teriam sido capturadas após invadir a área de domínio dos traficantes. Outro suspeito tinha sido preso na quarta-feira e cinco continuam foragidos, com pedidos de prisão encaminhados à Justiça.

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