Biblioteca Nacional é notificada por irregularidades na prevenção de incêndio

Corpo de Bombeiros fez vistoria no local após iG revelar relatório técnico que aponta graves problemas de prevenção, alto risco de incêndio e risco para funcionários. Órgão tem 180 dias para cumprir lista de exigências, sob risco de autuação e até interdição dos prédios

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

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Sala com excesso de volumes na Biblioteca Nacional, sem precaução de incêndio

O Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro vistoriou e notificou oficialmente a Biblioteca Nacional por irregularidades no sistema de incêndio e pânico do estabelecimento.

Leia mais: Relatório técnico aponta alto risco de incêndio da Biblioteca Nacional

A biblioteca tem 180 dias para cumprir as exigências elencadas na notificação do Corpo de Bombeiros. Segundo o órgão, "para qualquer órgão que não cumpra as exigências, é realizada a entrega de um primeiro auto de infração – após a notificação. Se, ainda assim, o problema não for solucionado, é entregue um segundo auto de infração. Em último caso, aplica-se a interdição".

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Lugar identificado como "lixão" pelo relatório, no anexo da biblioteca

A vistoria do Corpo de Bombeiros ocorreu após a publicação da reportagem do iG . 

A matéria revelou que relatório técnico contratado pela Biblioteca Nacional aponta sério risco de incêndio do prédio principal e do anexo por graves falhas de segurança de prevenção e combate de fogo. 

O documento de 28 páginas ao qual a reportagem teve acesso recomenda correções urgentes, “a fim de evitar consequências seríssimas ao acervo da Fundação Biblioteca Nacional”. 

Maior biblioteca da América Latina, a BN tem acervo de 9 milhões de volumes.

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"Corpo de Bombeiros verificou irregularidades no sistema de segurança contra incêndio e pânico", diz nota

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Três hidrantes são obstruídos por móveis em salas da Biblioteca Nacional

De acordo com nota da corporação, "o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro verificou irregularidades no sistema de segurança contra incêndio e pânico do estabelecimento (da Biblioteca Nacional)".

"Diante disso, expediu notificação para que o órgão apresente projeto de regularização quanto a esses aspectos." A assessoria do órgão não detalhou as irregularidades identificadas.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o tipo de vistoria feito na Biblioteca Nacional "verifica, no local, o cumprimento de todos os aspectos cobrados pelo Decreto 897 de 1976 (Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico - COSCIP). O código cobra diversos tipos de dispositivos fixos e móveis de segurança para as edificações, de acordo com suas características de tamanho, tipo de atividade e carga de incêndio."

Segundo a nota, são verificados a existência e funcionamento de "mecanismos como extintores, sinalização, rede de chuveiros automáticos, sistema de canalização preventiva, caixas de incêndio, escada enclausurada, entre outros".

Hidrantes obstruídos por móveis e portas trancadas ou bloqueadas por mureta

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Escada completamente obstruída no anexo da Biblioteca

A matéria revelou inúmeras falhas apontadas pela auditoria nos dois prédios da BN. Em ambos, faltam extintores de incêndio, há extintores de pó químico onde deveria haver de água – e vice-versa – e há três hidrantes de água confinados em salas e escritórios, completamente obstruídos por móveis. 

“(Localizamos) O primeiro hidrante da edificação, lamentavelmente com bloqueio total, fechado dentro de uma sala, com acesso difícil e equipamento precário, inclusivo com um esguicho danificado.”

Também não existe escada adequada de escape para o caso de fogo e há portas de escape bloqueadas por muretas de concreto, além de gambiarras elétricas e excesso de livros e volumes espalhados a esmo, sem arrumação ou precaução contra incêndios. Falta sinalização de equipamento preventivo, de rotas de fuga e de como proceder em situações de emergência.

Na sede da Biblioteca, há portas de escape trancadas magneticamente, e nenhum responsável pela segurança tem a chave. Um acesso ao quinto andar, com porta de madeira, é bloqueado por mureta de cimento e só abre cerca de 20 centímetros, o que inviabiliza a passagem por ali. “Para situações emergenciais na área será de suma importância para o salvamento de pessoas que possam estar do 7º ao 9º andar do armazém”, diz o texto.

Segundo Biblioteca, serviço solicitado pelo Corpo de Bombeiros será contratado

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Grande acúmulo de material impede o trânsito no anexo

Procurada pelo iG , a assessoria de imprensa da Biblioteca Nacional confirmou ter recebido a notificação. "Já estamos preparando a contratação do serviço solicitado pelo Corpo de Bombeiros."

O jornal O Globo noticiou ter havido um curto-circuito, com princípio de incêndio no anexo da Biblioteca Nacional - de acordo com o relatório, em condições ainda mais graves de prevenção do que o prédio principal.

A Biblioteca nega o incêndio. "Houve um curto-circuito no reator de uma luminária do 3º andar e a emissão de pequena fumaça somente no momento da ocorrência. Tudo acompanhado de perto pelo chefe do Departamento de Manutenção. Em nenhum momento houve principio de incêndio", informou a assessoria de imprensa do órgão.

Leia mais: Biblioteca Nacional afirma que investe para melhorar prevenção contra incêndio

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Mureta impede abertura de porta que seria usada para evacuação da biblioteca

A Biblioteca Nacional afirmou ao iG que vem tomando medidas para melhorar a prevenção de incêndio de seus prédios. De acordo com a assessoria, foi pedido laudo para a brigada contra incêndio com o objetivo de saber exatamente o que era preciso para deixar o prédio mais seguro.

Segundo a BN, os extintores de incêndio foram substituídos há cerca de três meses e "estão regularmente mantidos em todos os prédios", em número adequado e no prazo de validade, e a brigada de incêndio faz "verificações diárias e mensais".

Sobre a falta de sinalização de hidrantes, extintores e rotas de escape generalizada, apontada pelo relatório técnico, a BN disse que "a rota de escape está planejada e o treinamento será realizado em breve". A assessoria afirmou que a Casa investiu "mais de R$ 1,2 milhão na instalação do novo e moderno Sistema de Detecção de Alarme de incêndios (SDAI) no prédio-sede".

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