Polícia apresenta suspeito da chacina de seis jovens no Rio de Janeiro

Ex-militar do Exército, de 22 anos, foi reconhecido pelo pai de uma das vítimas

Agência Estado |

Agência Estado

A Polícia Civil do Rio apresentou na noite desta quarta-feira (12) o primeiro suspeito de ter participado da chacina de seis jovens no último sábado no município de Mesquita, na Baixada Fluminense. Daniel Dias Cerqueira dos Santos, ex-militar do Exército, de 22 anos, foi reconhecido pelo pai de uma das vítimas. Ele teria ordenado disparos contra parentes durante a busca aos jovens assassinados no Parque Natural de Gericinó, próximo à Favela da Chatuba.

Leia também:  Polícia pede à Justiça prisão de sete suspeitos de chacina na Chatuba

Wilton Junior/ AE
Daniel negou participação na chacina dos jovens e disse que estava em casa na hora do crime

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Júlio da Silva Filho, o suspeito seria um observador dos traficantes e atuaria com rádio para comunicar a aproximação de pessoas estranhas na área dominada pelo tráfico. "Ele foi localizado em uma laje fazendo a contenção para os traficantes, alertando aos comparsas sobre a aproximação da polícia. Além disso, as vestimentas encontradas no local foram reconhecidas pelos familiares, evidenciando que o palco da ocorrência foi a Chatuba".

Ex-militar do 21º Batalhão do Exército, Santos negou a participação no crime. "Estava em casa com minha família na hora do crime. Fui preso para averiguação e depois disseram ter encontrado 18 trouxas de maconha na minha casa", afirmou o suspeito. O delegado deve pedir a prisão preventiva do suspeito nesta quinta-feira. Outros sete suspeitos tiveram a prisão temporária pedida . Entre eles está Remilton Moura da Silva Junior, chefe do tráfico na Chatuba.

Familiares das vítimas estiveram na delegacia para reconhecer os objetos encontrados na trilha para a cachoeira do Parque. No local, a polícia localizou dois facões manchados de sangue. Durante as buscas na Favela da Chatuba, também foram apreendidos fogos de artifício, munições, cordas e drogas. O material será encaminhado à perícia.

Relembre:  Jovens foram mortos porque moravam em bairro dominado por facção rival

Alguns moradores da Chatuba denunciaram a policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que PMs do 20º BPM (Mesquita) receberam dinheiro de criminosos para não fiscalizar a área. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, solicitou ao corregedor da PM, Waldyr Soares Filho, que faça uma apuração sobre denúncias de possíveis desvios de conduta.

A favela em Mesquita permaneceu ocupada pela PM. A Polícia Civil também fez operações no Morro do Chapadão, no bairro da Pavuna, zona norte do Rio, para tentar localizar integrantes da quadrilha, que segundo informações teriam fugido para lá.

Apesar das buscas, o corpo da nona vítima da onda de violência em Mesquita não foi localizado. Os investigadores percorreram áreas com enxadas e pás em busca do corpo, mas nada foi localizado. José Aldecir da Silva Junior, de 19 anos, desapareceu na manhã de sábado, após sair para passear no parque.

Segundo seu pai, José Aldecir da Silva, ele foi visto sendo amarrado e agredido por traficantes. "Tenho medo que ele não seja encontrado. Tem muitas mães que nunca encontraram seus filhos. Lá tem muitos corpos, um cemitério", disse o pai. "Eles são covardes. Tenho medo do que possam fazer com minha família". As famílias das vítimas podem ser incluídas no programa de assistência às testemunhas, mas ainda não há uma definição por parte da secretaria de Direitos Humanos.

Confira ainda:  PM acha acampamento do tráfico em operação na favela da Chatuba

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG