Favela onde jovens foram assassinados registrou 12 mortes em três dias, diz PM

Favela da Chatuba está ocupada pelo Bope e dez suspeitos já foram presos. Assista vídeo com informações sobre a chacina

iG Rio de Janeiro |

Severino Silva/AE/Agência O Dia
Velório dos jovens assassinados em Mesquita, na Baixada Fluminense

A Favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, teria registrado ao menos 12 mortes nos últimos três dias, segundo informações da Polícia Miltiar do Rio de Janeiro. Na madrugada desta terça-feira (11), o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) iniciou uma ocupação permanente na comunidade com 250 homens. 

Leia também: PM acha acampamentos do tráfico em operação na Favela da Chatuba

Os traficantes da Favela da Chatuba são os principais suspeitos das mortes de seis rapazes , entre 16 e 19 anos, moradores de Nilópolis, que desapareceram no último sábado (9) quando iam a uma cachoeira no Parque Municipal de Gericinó.

Os corpos dos jovens foram encontrados na manhã de segunda-feira por operários em um canteiro de obras da duplicação da Rodovia Presidente Dutra, em Mesquita. Eles estavam nus, amarrados e amordaçados, enrolados em lençóis. Os cadáveres foram colocados lado e tinha marcas de tiros e facadas. Assista abaixo mais informações sobre o caso.

Prisões

Na operação de hoje na Chatuba, dez suspeitos já foram presos e dois menores foram detidos. De acordo com a PM, o plano é montar na Chatuba uma companhia destacada com 112 PMs.

Entenda:  Jovens foram mortos porque moravam em bairro dominado por facção rival

Entre os presos nesta terça-feira, estão Ricardo Sales da Silva, de 25 anos, e Mônica da Silva Francisco, de 20. Os dois estavam com 433 papelotes de cocaína e 41 pedras de crack. Um homem identificado apenas como Beto Gorducho também foi detido. Ele estava em uma casa com 50 gramas de cocaína e 15 mil reais em espécie.

Participam da incursão, PMs do 3º Comando de Policiamento de Área (CPA), Coordenadoria de Inteligência (CI), Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), Batalhão de Ações com Cães (BAC), Grupamento Aeromarítimo e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).

Alexandre Vieira/AE/Agência O Dia
PMs do Bope ocupam a favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense


Colaboração

A Polícia Militar mais uma vez solicita a colaboração dos moradores para a ação do BPChq e do Bope na comunidade. Uma forma importante de colaborar é denunciar criminosos, esconderijos e locais onde estão guardadas armas, drogas e outros produtos ilegais. Além disso, todos os moradores devem andar com documentos de identificação e os motoristas e motociclistas serão solicitados a mostrar documentos de propriedade de seus veículos, bem como a Carteira Nacional de Habilitação em dia. No caso das motos, também será exigido o uso de capacete.

Toda a operação terá acompanhamento da Ouvidoria das Polícias (tel.3399-1199) e da Corregedoria da Polícia Militar (tel. 2332-2341. O Batalhão de Choque e o Bope solicitam que sejam feitas denúncias de locais com drogas, armas ou criminosos pelos telefones 2332-8486 (BPChq) e 2334-3983 (Bope). Os moradores também podem recorrer ao Disque-Denúncia, pelo telefone 2253-1177.

A Prefeitura de Nilópolis informou ter decretado luto oficial de três dias. Também está sendo prestado apoio psicológico às famílias e foi cedido ainda, o espaço do ginásio poliesportivo do bairro Cabral, onde moravam os seis jovens, para que fosse feito o velório e que seus amigos e parentes pudessem prestar as últimas homenagens.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que, diante dos crimes bárbaros cometidos pelos traficantes da Chatuba, entendeu que era necessária uma ação urgente para devolver a tranquilidade àquela região. Nesse sentido, o secretário José Mariano Beltrame determinou ao comandante geral da Polícia Militar, coronel Erir Costa Filho, e à chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, que adotassem medidas extraordinárias na comunidade da Chatuba, visando a reduzir drasticamente, e de forma permanente, a presença do crime naquela localidade.

De acordo com a pasta, a Companhia Destacada que lá permanecerá por tempo indeterminado, consolidando assim o fim do domínio da Chatuba pelo tráfico de drogas.. Experiências similares já vêm sendo realizadas pela PM que atualmente conta, por exemplo, com Companhias Destacadas nos municípios de Macaé e Niterói e nas comunidades cariocas de morro Azul, na zona sul da capital, Camarista Méier e Vista Alegre, ambos na zona norte da capital.

Paralelamente, a Polícia Civil recebeu orientações para intensificar as investigações sobre crimes na região da Chatuba e proceder, o mais prontamente possível, ao cumprimento de mandados de prisão naquela comunidade, entregando os marginais para a Justiça.

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