Traficante Nem da Rocinha é absolvido da acusação de lavagem de dinheiro

Bandido, que está preso desde novembro, foi acusado de usar os rendimentos do tráfico na abertura de empresas e contas bancárias que estavam em nomes de supostos laranjas

Mario Hugo Monken iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Secretaria de Administração Penitenciária
Traficante Nem após ser preso em novembro

A Justiça do Rio de Janeiro absolveu na última quarta-feira (5) o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, da acusação do crime de lavagem de dinheiro. Ele era réu em um processo que tramitava na 29ª Vara Criminal da Capital.

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Segundo denúncia do Ministério Público Estadual, Nem foi acusado de lavar o dinheiro obtido no tráfico de drogas em empresas que estavam em nomes de supostos "laranjas", na compra de um carro para a sua namorada, Danúbia de Souza Rangel , e em uma residência de "alto padrão aquisitivo", ou seja, composta por móveis e demais objetos caros.

Nem está preso desde novembro no presídio de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A polícia investiga se ele ainda controlaria o tráfico na favela da Rocinha, na zona sul carioca.

É a segunda vez, em pouco mais de um mês, que Nem é absolvido em um processo criminal. No final de julho, o traficante fora inocentado na ação em que era acusado de oferecer dinheiro a PMs do Batalhão de Choque na ocasião em que foi preso fugindo da Rocinha. Ele ainda responde a outros processos por tráfico de drogas e sequestro.

Investigações

De acordo com as investigações, o dinheiro do tráfico teria sido usado na abertura de duas empresas, uma de acessórios para veículos e outra de comércio de gelo, que estavam em nome de Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão , que foi assassinado este ano. Feijão era apontado como uma espécie de "tesoureiro" de Nem.

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As duas firmas, consta nos autos, possuíam diversos depósitos com altas quantias em dinheiro que eram incompatíveis com as atividades que exerciam. As despesas aumentaram de R$ 9.559,36 em 2009 para R$ 115.611,56 em 2011. Feijão ainda teria adquirido um caminhão Mercedes-Benz avaliado em R$ R$ 83.540.

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Um outro suspeito de ser "laranja" de Nem e que trabalhava como taxista tinha dois carros de luxo em seu nome: um Honda civic e pick-up Ford Ranger, este, avaliado em R$ 54.430,00. Tinha ainda cinco contas bancárias em seu nome e teria movimentado R$ 457.900.

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Outra suposta "laranja" de Nem apontada no inquérito era a mãe da namorada do traficante, Maria das Graças Rangel, que tinha um veículo Ecosport em seu nome. O carro fora comprado por R$ 50.282 e foi um presente para Danúbia. Maria das Graças, que é dona de casa, também foi apontada como suspeita de emprestar o seu nome para a abertura de contas bancárias com movimentações altíssimas.

"Tudo mentira"

Em depoimento sobre o fato, Nem disse que as acusações contra ele eram "tudo mentira". Afirmou que foi a sua sogra quem deu o carro para Danúbia e que não tinha ligação nem Feijão nem o taxista citado no inquérito. O bandido falou ainda que, se tivesse que dar um carro para alguém, daria para a sua mãe que, segundo ele, tinha 70 anos de idade e trabalha na casa de família, ou para um irmão de 50 anos.

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Já a sogra de Nem afirmou que comprou o carro com o dinheiro da venda dos seus bens e que não se dava bem com o traficante por causa das brigas dele com sua filha Danúbia.

A Justiça entendeu que não havia qualquer prova hábil a confirmar que os Nem, sua sogra e o taxista usaram o dinheiro do tráfico de drogas para a aquisição de bens. Todos foram absolvidos.

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"Quanto ao réu Antonio Bonfim, não há elementos para afirmar que tenha realizado uma dissimulação para conferir ao dinheiro "sujo" a aparência de uma origem lícita, como exige o tipo penal incriminador. O fato dele manter em sua residência movéis e utensílios de alto padrão é insuficiente para a caraterização do delito", disse a juíza Maria Tereza Donatti

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