Após operação “Black Ops”, da Polícia Federal, que desarticulou quadrilha de importação ilegal de automóveis, família Escafura desiste do negócio na Barra da Tijuca

Família Escafura passou o ponto da loja de carros importados ilegalmente na Barra da Tijuca
Raphael Gomide
Família Escafura passou o ponto da loja de carros importados ilegalmente na Barra da Tijuca

A família do contraventor  José Caruzzo Escafura, o “Piruinha”, 83 anos,  está passando o ponto. Não, o grupo não abandonou suas áreas de domínio do jogo do bicho e de caça-níqueis, na zona norte do Rio, mas abriu mão de um outro comércio supostamente ilegal: a revenda de carros suspeitos de contrabando, na Barra da Tijuca.

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Loja da família Escafura, no dia da operação da Polícia Federal
Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Loja da família Escafura, no dia da operação da Polícia Federal

A responsável indireta pela “falência” foi a Polícia Federal. A operação “Black Ops”, que desarticulou em outubro de 2011 um esquema de contrabando de carros novos como se fossem usados – para venda e lavagem de dinheiro –, também extinguiu a empreitada dos Escafura no novo ramo de atividade, em parceria com a máfia israelense.

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Há pelo menos dois meses, a loja Euro Imported Cars já não funciona mais em um ponto nobre da Avenida das Américas, na Barra, próximo ao túnel que leva à zona sul do Rio.

Na loja vazia, onde até dez meses atrás ficavam luxuosos carros estrangeiros de mais de R$ 300 mil, há apenas uma faixa amarela que anuncia: “Aluga-se”, com o telefone do dono do ponto.

Na calçada em frente ao estabelecimento que abrigava carros esportivos e de luxo importados, apenas dois veículos de uma loja vizinha esperam comprador, um Audi e um i30 nacional, ambos usados.

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Dois carros usados em frente ao ponto onde ficava a loja dos bicheiros
Raphael Gomide
Dois carros usados em frente ao ponto onde ficava a loja dos bicheiros

A “Black Ops” desarticulou a quadrilha da família Escafura , entre outras, e prendeu dezenas de pessoas. A PF identificou que os envolvidos fraudavam a documentação de veículos e os importavam como novos quando na verdade eram usados – cuja importação é proibida.

No Brasil, os automóveis eram revendidos pelo preço de mercado sem que os impostos devidos fossem pagos. Os Escafura estavam entre os protagonistas da quadrilha. 

O dinheiro usado para comprar os carros era oriundo da contravenção. A atividade funcionava para “limpar” o dinheiro ilícito.

Dono do ponto cobra R$ 200 mil de "luvas" e aluguel de R$ 25 mil

Chefe do grupo, Haylton Escafura foi preso este ano
Divulgação/PF
Chefe do grupo, Haylton Escafura foi preso este ano

O último golpe sofrido pelos Escafura foi a prisão do comandante de fato da quadrilha e chefe das atividades, Haylton Escafura, filho do patrono “Piruinha” . Após ficar oito meses foragido, Haylton foi detido em junho, com mais dois homens.

O ponto nobre onde funcionava a Euro Imported Cars, dos Escafura, está pronto para ser alugado, mas o custo é alto: “luvas“ de R$ 200 mil e aluguel mensal de R$ 25 mil.

Outro ponto que pode estar dificultando a troca de locatários é que, como é vizinho de outras lojas de automóveis, o ponto só deve ser ocupado por uma outra loja de veículos.

“É a calçada dos carros”, explica o gerente de uma revendedora ao lado.

O iG ligou para o número anunciado na faixa afixada à vitrine da loja, mas não conseguiu contato.

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