Contra trauma após morte em UPP, PMs do Alemão têm atendimento psicológico

Três profissionais trabalham com colegas de Fabiana Aparecida, para evitar que ataque à sede da unidade se transforme em angústia coletiva em soldados recém-formados

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro |

Agência Estado
PM se preocupa que a morte de Fabiana Aparecida não se torne um trauma para os colegas no Alemão

A reação de policiais militares após a morte violenta da soldado Fabiana Aparecida de Souza, em um ataque de traficantes à base da UPP Nova Brasília, preocupa a cúpula da Polícia Militar. Temeroso de uma reação negativa, o comandante da PM, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, decidiu que os policiais da unidade passariam a ter apoio psicológico para evitar que o episódio se transforme em um trauma coletivo.

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Marcelo Carnaval/Agência O Globo
PMs ocuparam o Complexo do Alemão após ataque à UPP. Policiais contam com apoio psicológico

Segundo a assessoria de imprensa da Coordenação de Polícia Pacificadora (CPP), uma equipe de três psicólogos já atuava no apoio psicológico dos integrantes de UPPs. “Devido a essa ocorrência, um trabalho mais específico está em andamento e tem recebido do comando da UPP toda a colaboração”, explicou a assessoria.

A morte de Fabiana foi a primeira de um policial em UPPs, desde que o principal programa da Secretaria de Segurança do Estado foi estabelecido, em 2008. A questão é vista como ainda mais delicada porque os membros da UPP são recém-formados, com pouco tempo de corporação, e podem ter ficado abalados com o episódio, o que interferiria em seu desempenho.

“O trabalho na UPP Nova Brasília visa oferecer apoio psicológico aos policiais. O plano de trabalho específico busca monitorar e identificar graus de sofrimento dos policiais e realizar os encaminhamentos pertinentes de modo a lhes oferecer o suporte necessário”, escreveu, em nota, a assessoria.

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Reprodução
A morte da recém-formada Fabiana preocupa a PM

“Foi uma morte em serviço de uma integrante da tropa. Tem gente que vai superar, tem gente que não vai superar. Tem gente que pode ir embora, tem gente que pode ter estresse pós-traumático”, disse ao iG um coronel da PM.

Jovem e querida por colegas, a repercussão da morte de Fabiana foi muito grande dentro da corporação, na mídia e nas redes sociais, com inúmeras homenagens de agentes a ela.

As UPPs são vistas como um programa em evolução, ainda em implantação e sujeitas a ajustes. A visão do comando é de que tudo relacionado ao projeto deve ser estudado e analisado. Assim, a PM espera que o trauma seja minimizado.

A Polícia Militar tem um serviço de psicologia em seus quadros. Os profissionais da área são oficiais do quadro de Saúde, a começar pela patente de tenente.

Agência Estado
Carro perfurado por tiro no ataque que matou Fabiana

Como informou a PM, os integrantes de UPPs podem receber também atendimento psicológico nas policlínicas e batalhões próximos a suas unidades ou residências.

O Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), por exemplo, tem à disposição, duas capitães psicólogas, que atuam no dia a dia da unidade .

Elas fazem consultas terapêuticas e palestras, além de acompanhar os policiais em ocorrências com reféns – entre outras funções, para ajudar a traçar um perfil psicológico do criminoso tomador de refém.

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