Mesmo preso, ex-vereador é acusado de continuar comandando milícia no Rio

Ex-bombeiro Cristiano Girão e dez pessoas foram denunciadas por supostamente participarem de grupo paramilitar que atua na favela Gardênia Azul

iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou o ex-bombeiro militar e ex-vereador do Rio Cristiano Girão Matias, conhecido como Girão, sua irmã Roselaine Castro Girão Vida, a Rose, sua mulher, a cantora de funk Samantha Miranda dos Santos Girão Mathias e mais oito pessoas pelos crimes de formação de quadrilha armada e lavagem de dinheiro.

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Girão, segundo a denúncia, mesmo preso desde 2009, continua chefiando o grupo de milicianos que atua em Gardênia Azul, em Jacarepaguá, na zona oeste da capital. O juiz Marco Couto, da 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá, decretou a prisão preventiva de Girão e de mais seis denunciados.

Em operação realizada na manhã desta segunda-feira (06), os denunciados Fabio de Souza Salustiano, o Rolamento, e Robson Dias Delgado, o Índio, foram presos. Eles são os responsáveis, segundo o Gaeco, por ameaçar moradores e comerciantes da comunidade. Também foram apreendidos na sede da Associação de Moradores da Gardênia Azul cerca de R$ 15 mil em notas de real, dólar e euros, além de documentos e fogos de artifício.

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De acordo com a denúncia, que teve por base investigações realizadas pelos delegados Antonio Ricardo Lima Nunes e Maurício Mendonça de Carvalho, da 32ª DP (Taquara), Girão dá ordens aos subordinados através de recados repassados por pessoas que o visitam no Complexo Penitenciário de Bangu.

No segundo escalão da quadrilha, segundo o Gaeco estão os denunciados Celso de Souza, o Celso Black ou Negão, e Marcello Borges Gonçalves, o Borgue ou Beto, considerados os homens de confiança do ex-bombeiro, e que garantem ao bando negócios ilícitos praticando extorsão contra moradores e comerciantes da comunidade, utilizando-se de violência física e moral.

“A quadrilha faz uso de armas de fogo como meio de intimidação, para manutenção do império e garantia da lei do silêncio”, narra trecho da denúncia.

Ainda segundo a denúncia, ajuizada em 9 de julho, na função de gestoras de negócios e de patrimônio da quadrilha estão as denunciadas Haluska Almeida de Souza e Neuza Maria Correa Barreiros, acusadas de usar a sede da Associação de Moradores para receber moradores e comerciantes obrigados a pagar aluguéis de imóveis explorados pela quadrilha, taxas de segurança e taxas de permissão de funcionamento de comércios .

“Quando há inadimplência de locatórios, são responsáveis por acionar os seguranças dos imóveis, os quais não hesitam em utilizar de violência física e moral”, relata a denúncia.

As denunciadas Rose e Samantha Girão, de acordo com investigações, são as responsáveis por repassar ordens do ex-vereador ao restante da quadrilha, já que o visitam regularmente no presídio, além de figurarem como “laranjas” dele.

Outro denunciado Alian Teixeira Galvão, segundo o Gaeco, também tem a função de ameaçar moradores e comerciantes. Paulo Henrique Rocha Vieira, de acordo com a denúncia, é o cobrador da quadrilha e circula pela comunidade num carro preto, modelo Santana, conhecido por todos na comunidade como “caveirão da milícia”, com uma lista de inadimplentes em mãos.

A denúncia relata ainda que, depois de ser preso, Girão começou a repassar os cerca de 20 imóveis que havia em seu nome para Rose e Samantha, com a intenção de esconder seus bens da Justiça. Os imóveis, localizados em Gardênia Azul, são alugados para moradores e comerciantes da comunidade, em valores que variam de R$ 350 a R$ 1 mil, segundo o Gaeco.

“A condição de tais imóveis no ramo locatício, mediante contrato escrito, faz emergir a terceiros a aparência de licitude na aquisição de bem, criando bom ambiente para a devolução do dinheiro sujo no mercado”, relata trecho da denúncia.

A pedido do Gaeco, o Juízo da 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá também proibiu que Samantha e Rose visitem Girão ou qualquer outro denunciado na penitenciária ou que frequentem a Associação de Moradores de Gardênia Azul.

A Justiça também determinou que os locatários dos imóveis pertencentes ao ex-vereador, a partir deste mês, depositem em juízo o valor do aluguel. Dos denunciados, apenas as mulheres (Roselaine, Haluska, Samantha e Neuza) não tiveram as prisões decretadas.

De acordo com a denúncia, Celso de Souza usa o dinheiro dos aluguéis para a construção de novos imóveis na comunidade, remunera mão de obra empregada, e depois os disponibiliza para aluguel, caracterizando assim lavagem de dinheiro. “De início age-se de modo aparentemente lícito, convertendo valores ilegais em bens lícitos e disponíveis aos seus titulares, mediante aquisição de imóveis(...), narra trecho da denúncia.

O Gaeco também ofereceu denúncia contra Marcello Borges Gonçalves e Robson Dias Delgado e um homem ainda não identificado por lesão corporal por agressão a uma pessoa em Gardênia Azul, ano passado.

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