Ataque a UPP do Alemão foi reação do CV a operações após resgate em delegacia

Para a polícia, facção criminosa reagiu à pressão de incursões frequentes ao Jacarezinho, Manguinhos e Mandela. Ataque pretendeu desviar atenção para Alemão e atrasar UPPs nessas áreas

Raphael Gomide e iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Agência Estado
Traficante RG tinha 27 mandados de prisão e é apontado como líder do ataque à UPP

Para a polícia, o ataque de segunda-feira (23) à UPP Nova Brasília , no Complexo do Alemão, foi uma reação dos criminosos do Comando Vermelho à onda de incursões policiais a favelas da facção após o resgate do traficante Diego Feitoza, o DG, por criminosos, na 25ª Delegacia (Engenho Novo) , dia 3. No atentado à UPP, a PM Fabiana Aparecida de Souza, 30 anos, foi morta.

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Divulgação
DG foi resgatado de delegacia no Rio

O resgate de DG desencadeou uma ação sistemática de captura dos criminosos pelas polícias Militar e Civil na área do Jacarezinho, Manguinhos e Mandela, todas comandadas pelas quadrilhas do grupo. Para a polícia, operações sucessivas pressionaram o tráfico em importantes redutos do crime, o que resultou em prejuízo financeiro da facção, já alijada de muitas áreas pelas UPPs.

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No período, foram apreendidas armas e drogas, e o comércio ilícito foi interrompido pelas incursões. Assim, a ação criminosa pretendeu mudar o foco das forças de segurança do Estado, alocando mais efetivo no Alemão novamente, já perdido pelos criminosos, e diminuindo a pressão sobre as áreas ainda sobre seu controle.

Outra versão investigada é a que o ataque seria uma retaliação de traficantes a PMs, que teriam ficado com armas e drogas apreendidas de um suspeito e tentado revender aos criminosos , mas não entregaram. Outra informação foi de que PMs poderiam estar envolvidos no sequestro de uma mulher de um traficante.

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Atentado visou causar insegurança e adiar UPPs no Jacarezinho e Manguinhos

As autoridades de segurança do Rio acreditam que o ataque teve ainda a intenção de causar sentimento de insegurança no Alemão e adiar a instalação de eventuais UPPs no Jacarezinho, em Manguinhos e Mandela.

Marcelo Carnaval/Agência O Globo
PMs ocuparam o Complexo do Alemão após ataque do tráfico à UPP

O criminoso Regis Eduardo Batista, o RG, que se entregou à Polícia Civil na madrugada desta quinta-feira (26), foi identificado como o líder do ataque à UPP Nova Brasília, no Alemão.

Ele teria se apresentado, após negociação de seu advogado, por temer ser morto por policiais, em vingança pelo assassinato de Fabiana.

Ataque ocorreu na noite do lançamento do livro de ex-comandante da PM

Policiais também associaram o ataque no Alemão a recentes entrevistas de ex-traficantes e agora membros do grupo Afroreggae e do ex-comandante-geral da PM Mário Sérgio Brito Duarte, na promoção do livro “Liberdade para o Alemão – O Resgate de Canudos”, publicadas no jornal carioca “O Globo”.

Fabiano Rocha / Agência O Globo
Ataque ocorreu no dia em que o ex-comandante da PM Mário Sérgio lançou livro sobre o Alemão

Mário Sérgio disse que as principais facções criminosas do Rio pretendiam se unir para combater as UPPs. Os ex-criminosos confirmaram e relataram os momentos que antecederam a ocupação pelas forças de segurança do Estado, com o apoio do Exército.

Também foi interpretado como mais que uma coincidência que os tiros contra a UPP tenham ocorrido ao mesmo tempo em que o livro era lançado, em evento na Academia Brasileira de Filosofia, no Centro do Rio.

Na mesma noite, a polícia identificou ao menos quatro autores do atentado, classificado por alguns como “terrorista”. 

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