UPPs reduzem em 25% efetivo de segurança no Alemão e na Penha

Exército tinha 1.200 homens por dia, metade em cada complexo. Com oito unidades de polícia, serão 900 policiais na região, que tem 94 mil moradores

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro |

Bruno Itan
UPPs nos complexos do Alemão e da Penha terão menos soldados que o Exército usava

A saída da Força de Pacificação do Exército dos complexos do Alemão e da Penha representou uma considerável queda de efetivo na região, onde foi assassinada nesta segunda (23) a policial militar Fabiana Aparecida de Souza.

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Reprodução
Fabiana trabalhava na UPP Nova Brasília

A substituição das tropas do Exército por oito UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) na região – duas ainda a serem instaladas, até 10 de agosto – vai resultar na redução de 25% dos agentes de segurança por dia na área: de 1.200 para 900, segundo a PM.

Isso se dá porque a Força de Pacificação mantinha 1.867 militares permanentemente no local, sendo 120 de logística. Na prática, eram cerca de 1.600 operacionais morando nas duas bases, uma no Alemão e outra na Penha. Desses, 400 desfrutavam de folga por dia (escala de dez dias de trabalho por cinco de folga, ou 12/6), restando no local 1.200 soldados diariamente – 600 em cada complexo.

Com a chegada das UPPs, o contingente total disponível é de 2.200 policiais militares, a maioria recém-formada, como Fabiana.

Nina Lima/Agência O Globo
Granada usada no ataque tinha as iniciais da facção criminosa Comando Vermelho

Ocorre, porém, que as escalas padrões dos policiais das UPPs é de 12h de trabalho por 48h de folga, ou 12h/36h, segundo a PM. Assim, de fato, ficam 450 PMs de serviço por turno nos dois complexos, ou 900, 25% a menos que os 1.200 do Exército.

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Ao contrário da Força, a PM não dispõe de efetivo suficiente para manter de forma permanente tantos policiais na área.

O Exército fazia isso por dispor de muito pessoal. Conseguia isso ainda com rodízio permanente de contingentes a cada três meses, com os objetivos de não cansar demais o pessoal, de adestrar a tropa e evitar que a estada prolongada levasse a incidentes de corrupção.

Redução de efetivo com UPPs preocupava forças de segurança antes da troca

Agência O Globo
Ministro da Defesa Celso Amorim participou de solenidade que marcou saída do Exército da região

A redução das tropas com a substituição do Exército pela PM já era um ponto de considerável preocupação das forças de segurança do Estado e do Comando Militar do Leste (CML).

A forma de atuação das tropas militares e policiais também é diferente.

Com a vantagem do efetivo, o Exército optou por “saturar” a área, com “presença em massa” de soldados e patrulhamento permanente de becos e vielas . A ostensividade e a grande quantidade de militares circulando buscava acuar os traficantes e inibi-los de exibir armas e, principalmente, fuzis.

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A doutrina de “polícia de proximidade” adotada pelas UPPs, prevê mais visibilidade e menos patrulhamento por vielas. As sedes de UPPs estão sendo instaladas em áreas conhecidas como “pontos fortes”, áreas de visibilidade e “dominância estratégica”. Os PMs das unidades pacificadoras tendem a ficar mais concentrados nessas áreas.

Futura Press
UPP inaugurada no Alemão foi alvejada em ataque

A própria Força Armada, porém, reconhecia que o Exército é bom para ocupar, mas a PM é melhor para permanecer. Os militares também admitiam que os policiais tem “faro” mais apurado para identificar criminosos e material escondido, além de mais prática na atividade de policiamento e trato com a população, tendo em vista a própria natureza da atividade.

Em documentos internos, o Exército previa que seria necessário manter a intensidade de atuação de patrulhamento nos padrões que vinham sendo feitos para continuar a manter o controle efetivo das regiões.

Com a dificuldade de efetivo da PM, isso não é possível de forma rotineira, só emergencial, com o apoio de unidades como o Bope e o Batalhão de Choque, como agora.

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