Mesmo ocupado por Exército e UPPs, Alemão continua sendo "tesouraria" do tráfico

Dinheiro da "caixinha" da facção criminosa Comando Vermelho é recolhido na comunidade Pedra do Sapo

Mario Hugo Monken iG Rio de Janeiro |

Marcelo Carnaval/Agência O Globo
PMs ocupam o Complexo do Alemão após ataque do tráfico à UPP

Mesmo ocupado pelo Exército e agora por UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), o Complexo de Favelas do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, continua funcionando como a "tesouraria" da facção criminosa Comando Vermelho (CV), segundo policiais civis ouvidos pelo iG.

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Segundo um agente da Dcod (Delegacia de Combate às Drogas) é na favela Pedra do Sapo, no alto do complexo, que fica guardado o dinheiro da "caixinha" da facção, contribuição que é dada pelos bandidos de todas as comunidades controladas pela organização.

A "caixinha" do CV, que existe desde a criação do grupo, nos anos 70, no presídio da Ilha Grande, serve para financiar guerras promovidas pela facção, compra de armas, pagamento de advogados e supostas propinas a maus policiais, além de sustentar famílias de líderes presos.

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A polícia tem informações de que o dinheiro da "caixinha" chegaria à Pedra do Sapo todas as noites de segunda-feira, inclusive o que é arrecadado em bailes funks promovidos pelos traficantes durante o fim de semana. A quantia seria administrada atualmente pelo irmão do traficante Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói, que era braço-direito de Fernandinho Beira-Mar e foi morto no ano passado.

De propriedade ainda de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso na penitenciária federal de Porto Velho, em Rondônia, as bocas de fumo do Alemão seriam administradas hoje pelo criminoso Eduardo Paixão, o 2D.

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Os criminosos, segundo informações que chegam à polícia, teriam fuzis e a venda de drogas nas favelas do complexo continuaria a todo vapor, inclusive, com a presença de consumidores vindos de fora.

Pablo Jacob/Agência O Globo
Balas traçantes durante intenso confronto no Alemão em setembro



Tráfico preferia a PM, diz escuta

Apesar dos sucessivos ataques a policiais da UPP do Alemão nos últimos dias, culminando com o atentado à sede da unidade pacificadora da Nova Brasília onde morreu a PM Fabiana Aparecida de Souza, os traficantes já haviam demonstrado que preferiam a PM do que o Exército ocupando as comunidades.

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Uma escuta telefônica feita pela polícia no dia 8 de setembro do ano passado, e que integrou a investigação da Operação Herdeiros , responsável pela prisão de PMs suspeitos de vender armas e drogas aos traficantes, captou uma conversa entre uma mulher (não identificada) e um PM do Batalhão de Campanha que atuava no Alemão.

Na gravação, a suspeita diz que os traficantes "teriam tentado fazer um acordo com o Exército mas como não tiveram êxito, querem que o Exército saia e os PMs entrem". Disse também que, na época, cerca de 700 traficantes entrariam com armas no Alemão.

Dias antes desta conversa, houve um intenso tiroteio no Alemão, inclusive com balas traçantes, na maior ocorrência registrada na região até o ataque à UPP na noite de ontem. Na época, se especulou que o confronto ocorrera porque traficantes teriam invadido a favela

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