Governo do Rio de Janeiro restringe voos panorâmicos na capital

Rotas foram extintas e itinerários foram alterados em razão da reclamação de moradores da zona sul

iG Rio de Janeiro |

A Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro (SEA), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Instituto Chico Mendes firmaram nesta terça-feira (24) com a empresa de táxi aéreo Helisul um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com uma série de medidas que visam a um maior controle dos voos panorâmicos em pontos turísticos da cidade, para reduzir o impacto sonoro em bairros da Zona Sul.

Pelo TAC assinado, a Helisul se compromete a encerrar três rotas de voos: que passavam sobre o Jardim Botânico, Botafogo, Humaitá e Urca, na zona sul, a alterar o traçado de outras seis (com os novos percursos privilegiando o mar de Copacabana e Ipanema, a Baía de Guanabara e a Floresta da Tijuca) e a aumentar a altura mínima dos sobrevoos, de 500 para mil pés.

Além disso, a empresa não vai mais voar cedo pela manhã e à noite, adotando horário mais restrito de operação: das 9h ao pôr do sol (atualmente, 17h30). E mais: não haverá mais voos em volta do Pão de Açúcar (apenas ao largo do monumento natural, passando pelo litoral) e pela Enseada de Botafogo. Os voos ao redor da estátua do Cristo Redentor, no Corcovado, passarão de um raio de cem para 600 metros.

Com as restrições acordadas, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, avalia que haverá uma redução de 60% no impacto sonoro provocado pelos helicópteros, melhorando a qualidade de vida da população afetada. Segundo Minc, serão feitos dois programas de fiscalização: um de observação da rota dos voos das aeronaves e outro, de monitoramento do ruído em quatro pontos: nas proximidades do Hospital da Lagoa, no Mirante Dona Marta, no Humaitá e na Urca.

“Vamos instalar estações de monitoramento nesses pontos. Esse trabalho será feito durante 60 dias, de forma ininterrupta. O outro, de observação, é para identificar o tipo de aeronave que opera em nosso espaço aéreo, e será feito de segunda a quinta. A partir daí, poderemos identificar qual é a pressão sonora exercida por essa atividade em determinado bairro e se esse ruído está ou não de acordo com a nossa legislação. Aí poderemos, por exemplo, adotar outras medidas restritivas”, explicou Minc.

Para o diretor da Helisul, Luis Carlos Munhoz da Rocha, todas as medidas que estão sendo implementadas já foram testadas no heliponto da Lagoa, e com resultados satisfatórios.

“Temos ouvido a população e refletimos sobre a importância dessas modificações que visam a melhorar a qualidade e de vida das pessoas. Estamos voando mais alto, o que não vai prejudicar a beleza que o panorama da cidade proporciona para o visitante. Foram dois meses de negociação, e, ao longo deste período, fomos implementando as medidas. O Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), inclusive, está acompanhando toda esta questão e já cobra medidas por parte de outras companhias de táxi aéreo, de forma que o barulho dos helicópteros não afete a qualidade de vida da população”, disse Munhoz.

As medidas anunciadas hoje, em coletiva à imprensa na sede da SEA, envolvem apenas a Helisul, maior operadora desses voos pela Zona Sul. Mas as autoridades estaduais esperam que, a partir do TAC assinado, outras empresas que exploram o mesmo serviço passem a adotar restrições semelhantes. Com isto, deverão ser atendidas as reivindicações de várias associações de moradores, em especial de bairros da Zona Sul.

Moradores do Jardim Botânico, Humaitá, Botafogo e Urca vêm reclamando muito desses voos turísticos: o número de helicópteros aumentou muito e os voos costumam ser promovidos à baixa altitude e com grande frequência, prejudicando assim a qualidade de vida em várias regiões da cidade.

As medidas acordadas tiveram o apoio do Instituto Chico Mendes, que administra o Parque Nacional da Tijuca, onde está situado o Corcovado e o heliponto do Morro Santa Marta.

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