"A última vez que usei crack, usei chorando"

Leia alguns depoimentos dos internos que tentam se livrar da dependência das drogas, na clínica particular Jorge Jaber, no Rio de Janeiro

Valmir Moratelli iG Rio de Janeiro |

Selmy Yassuda
Grupos de até 15 pessoas se reúnem na parte da tarde para dividir as experiências vividas com as drogas


Professor de jiu-jitsu em academias da zona sul do Rio, 29 anos

Primeira internação. Até o dia 13 de junho, 45 dias internado. Começou com maconha, depois cocaína e, há 45 dias, tenta largar o crack. “Era um marginal, vivia para usar drogas. Minha meta era arrumar ao menos uma confusão por dia. Era agressivo com todo mundo”.

Estudante de Desenho Industrial, internado pela família, 20 anos

Segunda internação. Até o dia 13 de junho, 21 dias internado. O pai é médico, morador de bairro nobre da zona sul do Rio. A família teve que entrar com uma medida judicial para ele ser internado. “Fumava maconha com os amigos da praia. Até que me deram o crack para experimentar. Em uma semana não tinha mais ideia da minha vida”, diz ele, que deixou para trás a faculdade e a namorada.

Menor infrator, internado por ordem judicial, 17 anos

Até o dia 13 de junho, 99 dias internado. Passagem pelo Instituto Padre Severino (para menores infratores). Folha policial: tráfico de drogas. “Aos 13 anos, comecei cheirando gasolina. Depois fui para a cola, maconha, cocaína e cheguei ao crack. Frequentava raves e tomava muito ecstasy. Larguei a escola na terceira série”, conta.

Arquiteto, morador da Barra da Tijuca, 31 anos

Primeira internação. Está internado há dois meses. Folha policial: Responde por porte de drogas, tentativa de homicídio e formação de quadrilha. “Comecei a usar drogas porque matei minha cachorrinha yorkshire sem querer. Estava fazendo obra na cozinha de casa e o armário despencou da minha mão. Até hoje fecho os olhos e ouço ela gritando debaixo do armário. Comecei com cocaína naquela noite mesmo. Acabei chegando ao crack”.

Cantora e compositora, 28 anos

Já não lembra quantas internações. Até o dia 13 de junho, 90 dias internada. “Não sei lidar com perdas. Entro em desespero achando que minha família vai morrer. Isso me deixa agitada demais. Já experimentei tudo que você possa imaginar. O crack foi a pior coisa que apareceu na minha vida. Quero sair daqui para voltar a compor”.

Desempregado, pai de um menino, 38 anos

14ª internação. Folha policial: indiciado por roubo. “Houve um intervalo de 1 ano e 4 meses sem usar drogas até a última entrada na clínica. Prefiro a dor de não usar do que cometer isso de novo, não posso mais ter recaídas. A última vez que usei crack, usei chorando. Sabia que não podia usar, mas mesmo assim fui fraco, fui impotente”.

Engenheiro civil, divorciado, pai de dois filhos, 35 anos

Até o dia 13 de junho, 22 dias internado. Folha policial: enquadrado na Lei Maria da Penha. “Sempre gostei de beber. A bebida é a pior droga porque vende em qualquer bar. Não preciso ir num lugar perigoso comprar minha droga. Fico violento, não consigo fazer mais nada a não ser beber. Já cheguei a bater na minha ex-namorada, bêbado. Ela gostava de mim, mas sóbrio”.


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