Famosa, Cidade de Deus ganha projeto sustentável de universidade suíça

Professores de arquitetura da ETH sugerem alterações para melhorar a qualidade de vida em favelas do Rio de Janeiro, em exposição no Studio X, no centro da cidade

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro |

Berg Silva/Divulgação
Arquitetos da ETH Rainer Hehl e Hubert Glumpner, no Complexo do Alemão

Sede de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) , comunidade com “moeda social” e protagonista de livro que virou filme, a Cidade de Deus, uma das mais famosas favelas do Brasil, recebeu agora também um projeto de arquitetura moderno e sustentável de intervenções, elaborado pelo professor Rainer Hehl, da ETH Zurique, prestigiosa universidade suíça.

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É a “Cidade do Amanhã”, que pretende apresentar soluções de melhorias sustentáveis para a comunidade. Por enquanto, o projeto é meramente acadêmico, e não prevê implantação por nenhum órgão governamental. Entre outras alternativas sugeridas, estão o uso de concreto reciclável, mais leve, e tijolos de cerâmica e telhas refletoras prateadas e douradas, que devolvem para a atmosfera os raios solares e reduzem o calor.

Sob o título “Intercâmbio Favela-Cidade”, as ideias de desenvolvimento sustentável da ETH – no formato de maquetes e cartazes –, estão em exposição até o dia 8 de julho no Studio X, instituto da Universidade Columbia, de Nova York na Praça Tiradentes, 48, no centro do Rio.

Berg Silva/Divulgação
Maquetes da Cidade de Deus na exposição da ETH no Studio X

Outro projeto apresentado é o Mobilize Brasil, com projetos e conceitos de mobilidade para a área do Maracanã e favela da Mangueira, na zona norte da cidade.

O Studio X fez parceria com os arquitetos especialistas em informalidade e mobilidade urbana da ETH, Hubert Glumpner e Rainer Hehl, para fazer um levantamento arquitetônico e projetos de urbanização de favelas no Rio.

“As favelas estão se tornando cidades. Elaboramos um sistema de cidades e como podemos fazer para esse sistema ser mais sustentável? Nossa impressão é de que grandes eventos, como os que o Rio vai receber, têm impacto nas cidades, mas não apenas positivos. Desejamos que esses eventos deixem legados não só para a realização dos eventos, mas que transformem a cidade”, disse Hehl.

Segundo o diretor do Studio X, o carioca Pedro Rivera, projetos como esses apresentados podem ser visto como uma espécie de “compensação”.

Reprodução
Montagem de informativo da ETH brinca fundindo RIo a Zurique

“Curiosamente, os arquitetos vivemos o paradoxo de serem os vilões do mundo. A quantidade de energia necessária para se construir cidades é absurda. Daí por que há a necessidade de cidades sustentáveis, encurtando-se as distâncias e criando uma mobilidade mais sustentável”, afirmou.

Para o presidente da ETH, o físico Ralph Eichler, “a tecnologia está presente também na arquitetura, em urbanismo, na mobilidade urbana, nas formas de aquecimento e refrigeração de transportes e casas, é tudo tecnologia. As cidades e as casas podem ser vistas, hoje, como máquinas”.

Eichler anunciou a assinatura de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para arquitetos da universidade fazerem projetos-piloto interdisciplinares de planejamento urbano para as favelas do País. “Esses trabalhos são experimentos, como diria um físico”, brincou.

“Países como China, Índia e Brasil estão determinando as questões que são relevantes para a pesquisa de amanhã”, disse o professor Marc Angélil, do Instituto de Urbanismo do Departamento de Arquitetura da ETH.

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