Estrelas na tomada do Alemão, blindados da Marinha voltam às ruas na Rio+20

Carros de transporte de tropa sobre lagarta e rodas serão usados na segurança da conferência da ONU. Equipamento foi fundamental para ocupação de favelas

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

J.Egberto
Usados na ocupação da Rocinha, carros blindados da Marinha vão operar na conferência Rio+20
Estrelas da ocupação dos complexos do Alemão e da Penha, em novembro de 2010, os veículos blindados da Marinha voltarão às ruas do Rio durante a Rio+20 (Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável) .

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A participação dos blindados sobre lagarta e sobre rodas da Marinha teve grande efeito-surpresa e impacto psicológico sobre os traficantes locais – que haviam montado barricadas com carros e caminhões, para os Caveirões da polícia –, e foi considerada fundamental para a tomada dos complexos . A cena marcante de dezenas de traficantes armados de fuzis em fuga , da Penha para o Alemão, ocorreu em função da presença dos blindados nas favelas.

Conheça os blindados da Marinha que serão usados na Rio+20

ig
Policiais do Bope embarcam em blindado M-113 da Marinha, na Penha, ação que se tornou marco do uso do equipamento
Na Rio+20, os veículos serão empregados principalmente como meios de demonstração de força e dissuasão. Serão usados na operação os três tipos de blindados de transporte dos fuzileiros navais – os Clanf (Carros sobre Lagarta Anfíbios), as Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal M-113 e os Piranhas, sobre rodas, que se assemelham aos Urutus.

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O Clanf é o maior deles, com 8,1 metros de comprimento e capacidade para 20 soldados e três tripulantes, sobre lagarta. O M-113, também sobre lagarta, mas menor, tem 4,8 metros, comporta dez combatentes e três tripulantes. O Piranha, sobre rodas, leva 13 soldados e três tripulantes.

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Em 2010, na operação dos complexos da Penha e do Alemão, foram usados 14 veículos blindados – quatro M-113, quatro Clanfs e seis Piranhas; na Rocinha, 16 – seis Clanf, seis M-113 e quatro Piranhas.

Veja um blindado da Marinha por dentro

Marino Azevedo
Blindado da Marinha, ao lado de carro da PM, na ocupação da Mangueira
Blindados ficarão em "pontos fortes", estratégicos, para fazer presença ostensiva

No total, o Corpo de Fuzileiros Navais conta com 36 Clanf, 18 Piranhas e 35 M-113 operacionais à disposição no Rio, somando 89, mas nem todos devem ser empregados.

Os carros ficarão em “pontos fortes”, locais considerados estratégicos, para marcar presença ostensiva e garantir sensação de segurança. Os fuzileiros navais vão ficar distribuídos especialmente pelas principais vias expressas de acesso ao centro e às zonas sul e oeste da cidade, as linhas Vermelha e Amarela e a Avenida Brasil.

Também farão a segurança de local e proteção para a passagem de comboios com autoridades da conferência. A ideia das Forças Armadas com o esquema de segurança é de massificar a presença de tropas para prevenir e dissuadir qualquer incidente de violência durante a permanência dos delegados da Rio+20 e, especialmente, dos chefes de Estado e de governo no Rio – o segmente de alto nível ocorre de 20 a 22 de junho.

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Blindados fizeram em 4h trabalho de uma semana, diz instrutor do Exército

Em análise da ação na Penha/Alemão, o tenente-coronel de Cavalaria Anselmo Rangel dos Anjos, instrutor da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), destacou a relevância dos carros na ocupação e disse que as barricadas “não foram suficientes para parar os blindados sobre lagartas da Marinha”. Rangel comparou a ação à tática das tropas alemãs de Blitzkrieg, “cujos elementos essenciais eram o efeito surpresa, a rapidez da manobra e a brutalidade do ataque”.

AE
Comandante do Bope, tenente-coronel Renê, desembarca de blindado Clanf, no Alemão

"A operação de invasão da Vila Cruzeiro contou com a participação das viaturas da Marinha em colaboração às ações do Bope, que conseguiram de forma inédita e com forte proteção blindada, ultrapassar obstáculos lançados ao longo dos principais acessos e se aproximar decisivamente dos criminosos, forçando-os a abandonar as suas até então intransponíveis posições defensivas e fugir em bando para o Complexo do Alemão”, disse o oficial do Exército.

“Durante a conquista dessa comunidade (Vila Cruzeiro), ao esmagarem obstáculos, como blocos de concreto, restos de trilhos de trem e até carros e um caminhão queimado, colocados pelos traficantes em ruelas estratégicas, os blindados fizeram em quatro horas um trabalho que poderia levar uma semana, contribuindo significativamente para a abertura do prosseguimento das forças de segurança em direção ao objetivo principal”, afirmou o tenente-coronel Rangel, designado em março para a Minustah (Missão de Paz para a Estabilização do Haiti).

Frota blindada da Marinha começou a operar na 2ª Guerra Mundial

Conheça abaixo os veículos de transporte de tropas da Marinha:

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