Rio+20 terá estrutura de cidade ‘sustentável’ de 120 mil habitantes

Com acessibilidade e conectividade como eixos, evento terá smart paper, gerador de biodiesel, madeira certificada e copos feitos de espiga de milho

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Raphael Gomide
Pavilhão do Riocentro começa a ser preparado para a Rio+20, com ênfase em sustentabilidade
O Riocentro, sede da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável) , vai se tornar nos próximos dias uma “cidade sustentável” e inclusiva, com infraestrutura para 120 mil pessoas. Os eixos de organização foram “acessibilidade, sustentabilidade e conectividade”.

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O centro de convenções vai receber chefes de Estado ou governo de 102 países – já confirmados – e a organização estima que entre 30 mil e 50 mil pessoas credenciadas vão passar por dia no complexo, que estará sob o controle da ONU (Organização das Nações Unidas) a partir do próximo dia 5.

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A área construída utilizada para a conferência será de cerca de 100 mil m2, o dobro da usada na Rio 92. A energia disponibilizada será de 10 mil kw/h, o consumido por uma cidade de 120 mil habitantes.
Tendo em vista o tema da Rio+20, houve especial atenção dos organizadores com sustentabilidade.

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Conferência da ONU promete usar madeira certificada. O material já está nos pavilhões do Riocentro
“Tivemos preocupação com a sustentabilidade, em relação a produtos e serviços usados. Teremos copos feitos de espiga de milho, material sustentável, faremos uso de geradores com biodiesel, madeira certificada, e coleta seletiva de lixo”, explicou o secretário do Comitê Nacional de Organização (CNO) da Rio+20, ministro Laudemar Aguiar, responsável pela organização logística do evento.

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Na coletiva desta quarta-feira, por exemplo, os copos servidos já eram os feitos de espiga de milho. Era possível ver também ripas de madeira aparentemente de material sustentável.

A Rio+20 também vai anunciar nos próximos dias um plano de compensação de emissões de carbono causadas pela conferência.

Conectividade substitui papel, em nome da sustentabilidade

Uma das medidas para minimizar os impactos será pela “conectividade”, com o uso do “smart paper”, reduzindo ao mínimo a utilização de papel, e adotando tecnologias menos poluentes. Mas o próprio Laudemar reconhece: “Não há como ter conferência da ONU sem papel. Mas a ideia é ter documentos digitais da ONU, para usarmos ao máximo a tecnologia”.

A conectividade é outra “obsessão” dos organizadores. A Oi foi a vencedora de licitação e será a responsável pela rede de transmissão de dados com mais de 7km de fibra ótica instalados, o que pretende permitir até 30 mil acessos simultâneos pela rede sem fio no Riocentro. Para facilitar as comunicações, não haverá senha de acesso – o Exército, responsável pela segurança cibernética foi contra, mas a ONU manteve a decisão.

Haverá rede wi-fi e cabeada, para o caso de falha. “Deve ter grau de segurança maior que evento comum, devido à presença de tantas autoridades. Não pode haver e faremos o possível para que não haja interrupção trabalhos.”

Conferência inclusiva e participativa, com atenção a portadores de necessidades especiais

Outro “eixo de organização” foi a intenção de fazer a Rio+20 “o mais inclusiva e participativa possível”, nas palavras de Laudemar. Assim, haverá atenção para portadores de necessidades especiais, o que, segundo o diplomata brasileiro, passará a ser o padrão de acessibilidade para eventos da ONU.
Haverá audiodescrição dos eventos, legenda, língua de sinais em inglês e piso tátil, para facilitar o deslocamento de pessoas com necessidades especiais.

“Na ONU gostaram tanto que resolveram será patamar de acessibilidade. Se é para ser inclusiva e participativa, não podemos excluir pessoas com deficiência. O Brasil tem 45 milhões, ou 24% população, com algum tipo de deficiência: deficiência motora, visual, auditiva Queremos que vire uma campanha educativa e que, em cinco anos, todos saibam o que é piso tátil e perguntem onde está, onde fica a rampa... Isso ajuda também a mãe com carro de bebê, uma senhora, e beneficiará ainda a pessoa que quebrou uma perna, por exemplo”, disse Laudemar.

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