"Solta o patrão", disseram os criminosos que resgataram menores no Rio

Bandidos queriam resgatar um menor conhecido como Cinco Mil, que atua na favela do Rola, em Santa Cruz. Agentes levaram coronhadas

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

"Cadê o patrão, solta o patrão". Foi com esses gritos que um grupo formado por seis homens interceptou uma van do Degase (Departamento de Ações Socioeducativas) e resgatou três menores infratores que voltavam de uma audiência na Vara da Infância e da Juventude na tarde da última quinta-feira (24) na Linha Vermelha, na zona norte do Rio de Janeiro.

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Segundo a polícia, o alvo dos bandidos seria um adolescente conhecido como Cinco Mil, de 15 anos, que atuaria no tráfico de drogas da favela do Rola, em Santa Cruz, na zona oeste. Um dos três presos resgatados. Cinco Mil ainda pediu para dois menores serem levados pelo bando.

O jovem alvo do resgate responde a processo por associação ao tráfico de drogas e porte de arma de uso restrito. Um outro menor, de 17 anos, é do morro do Tuiuti, em São Cristóvão, na zona norte, e está cumprindo medida socioeducativa por roubo. Já o terceiro adolescente, também de 17 anos, é oriundo da favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, e é acusado de roubo.

Coronhadas

O presidente do Sindicato dos Servidores do Degase, Marco Aurélio Rodrigues, afirmou ao iG ter ouvido relatos de que os criminosos, que estavam em dois carros (um Peugeout vermelho e um Kia Cerato preto) e armados com fuzis e pistolas, abriram à bala os cadeados da van para libertar os menores e ainda agrediram os dois agentes do órgão com coronhadas na cabeça.

Estilhaços dos tiros disparados pelos bandidos atingiram dois adolescentes que estavam no carro do Degase. Outros três menores aproveitaram a confusão para fugir para dentro de uma mata, na Ilha do Fundão, mas foram recapturados.

Os três menores resgatados pelos criminosos continuam sendo procurados. Cinco Mil, por exemplo, teria acabado de chegar ao sistema, conta Marco Aurélio. O sindicalista disse acreditar que o menor ocupe cargo alto na quadrilha que atua na favela do Rola em razão de os criminosos terem se referido a ele como patrão.

Responsável pela investigação, o delegado Deoclécio de Assis, da 37ª DP (Ilha do Governador), afirmou estar realizando buscas para tentar recapturar os adolescentes e identificar os responsáveis pelo resgate.

Sobre a segurança dos agentes do Degase, que foram agredidos, e a ausência de uma escolta na hora em que ocorreu o fato, o diretor do órgão, Alexandre Azevedo, a escolta é requisitada conforme o grau de periculosidade transmitido pelas agências de inteligência, batalhões da área, delegacias e dados coletados durante a estada no sistema.

De acordo com o Degase, não constava, nem foi informado nenhum dado que desse ensejo a uma solicitação de escolta. Segundo o órgão, os internos eram completos desconhecidos que adentravam ao sistema, e a agência local não teve tempo hábil para coletar dados, visto que entraram na quarta e o evento ocorreu na quinta-feira. Os deslocamentos são feitos em veículos especiais, durante o dia e em vias expressas onde há forte policiamento.

"Dos três adolescentes foragidos, dois adentraram na quarta-feira e um estava sendo encaminhado para a unidade. São meninos desconhecidos de todo o aparato de segurança. O Degase aposta muito em segurança com inteligência, por isso temos os dispositivos dos muros, tecnologia não letal, transporte feito em horário diurno, viatura especial", declarou afirmou Alexandre Azevedo.

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