Sete pessoas são indiciadas por desabamento do Edifício Liberdade

"Obra no 9º andar do prédio foi determinante para a queda", diz Polícia Federal

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro

Sete pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal como responsáveis pelo desabamento do Edifício Liberdade , ocorrido em janeiro deste ano no centro do Rio, deixando 17 mortos e cinco desaparecidos. Para a PF, a tragédia ocorreu devido à obra realizada pela empresa Tecnologia Organizacional (TO) no 9º andar do prédio. Foram indiciados Sérgio Alves, presidente da TO; Cristiane Azevedo, funcionária responsável por fiscalizar as intervenções; Paulo Renha, síndico do edifício; e quatro operários que trabalhavam nas obras.

Assista: Vídeo mostra obra no 9º andar de prédio que desabou no Rio

De acordo com as investigações, foram demolidas no 9º andar cinco paredes estruturais, uma coluna e dois pilares de sustentação que iam do pavimento em que a intervenção foi realizada até a cobertura. “Não tenho dúvidas de que a obra foi determinante para o desabamento, pela forma como foi executada”, afirmou o delegado responsável pelas investigações, Fábio Scliar.

Relembre: Obras em prédio que desabou tiveram início sem laudo técnico

Segundo ele, todos irão responder pelos crimes de desabamento culposo (quando não há intenção) qualificado com resultado de homicídio culposo, além de crime ao bem tombado pela União, por conta dos dados causados pela tragédia ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O síndico do edifício irá responder ainda por falsidade ideológica por ter apresentado, em 2001, à Prefeitura do Rio de Janeiro uma planta do 9º andar que não mostrava uma alteração que o pavimento tinha sofrido. Sua intenção era subdivir o andar em várias salas comerciais.

“Esse documento dizia que no local estava presente o prisma (vão) de ventilação do edifício, quando, na verdade, naquele local havia uma copa”, explicou Scliar. O inquérito foi entregue ao Ministério Público Federal, que vai decidir se denuncia ou não os sete indiciados à Justiça. O delegado também já pediu a quebra do sigilo telefônico das cinco pessoas desaparecidas a fim de tentar esclarecer se elas realmente estavam no local do desabamento.

Confira o infográfico sobre o desabamento no centro do Rio:

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