Família quer investigação paralela para morte de jovem nos EUA

Jhessica Freitas, 20, foi encontrada enforcada dentro de um armário em Nova York, em abril. Suicídio é descartado por familiares

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Jhessica Freitas, 20 anos, foi encontrada morta em abril, nos Estados Unidos
A família da estudante Jhessica Freitas, de 20 anos, solicitou uma audiência com a secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para pedir auxílio em uma investigação particular sobre a morte da jovem, ocorrida nos Estados Unidos, no dia 1° de abril deste ano.

Jhessica foi encontrada enforcada com um cinto dentro de um armário na casa em que morava e trabalhava como babá, em Nova York. A polícia americana concluiu um laudo que aponta o suicídio, mas até agora não o disponiblizou para os familiares.

“Ela era cheia de sonhos, alegre, inteligente. Já estava havia 2 anos e 4 meses trabalhando e cursando uma faculdade de psicologia. Não acreditamos na possibilidade de suicídio”, relatou ao iG o tio da jovem, Paulo Miller.

A descrença no seu suicídio foi reforçada após o pai de Jhessica, João Vieira, ter visto uma foto feita pela polícia da cena de sua morte. “O armário tinha cerca de 1,50m de altura. O cinto estava amarrado ao cabideiro e seu corpo apoiado no chão, como o do jornalista Vladimir Herzog”, afirmou o tio.

Ainda de acordo com Miller, um cordão, com o símbolo da personagem de desenho animado Sininho, também desapareceu. “Ela e o cordão eram inseparáveis. Ela gostava de crianças e sempre o usava, era como um amuleto”.

Divulgação
Jhessica não se separava do cordão, que não foi encontrado
A família só foi contactada pelas autoridades americanas um dia após a sua morte. Enquanto providenciavam os cerca de R$ 3 mil para fazer o traslado do corpo para o Rio de Janeiro, o dono da casa onde ela morava, John Surace, se disponibilizou a fazer uma cerimônia de cremação, mas a família recusou.

Segundo Miller, Surace é investidor imobiliário e mantém uma estreita relação com policiais de Nova York, tendo vários deles como seus clientes. “Acredito que isso possa ter contribuído para que a investigação não tenha avançado”, afirmou.

Além disso, o computador e o celular da jovem não teriam sido apreendidos pela polícia. "O Surace declarou que os objetos eram dele e os investigadores não os solicitaram para perícia. Roupas e outros objetos dela também foram doados, sem a nossa permissão", disse o tio de Jhessica.

Sonho interrompido

Descrita como autodidata e realizadora pela família, Jhessica sempre sonhou em estudar nos EUA. Moradora do bairro de Vila Valqueire, na Zona Norte do Rio, ainda criança começou a estudar inglês sozinha e, aos 13, venceu um concurso nacional de histórias em quadrinhos no idioma americano tendo um livro publicado pelo cartunista Ziraldo.

Aos 17, se ofereceu para trabalhar sem remuneração em uma creche pois precisava de experiência para o seu intercâmbio e optou pela turma de crianças especiais. Aos 18 anos, conseguiu uma vaga de babá  nos EUA, e concretizou seu sonho de morar no país.

Jhessica cuidava de três crianças, sendo uma de 4 anos, portadora de necessidades especiais. À noite, cursava Psicologia em uma faculdade particular, em Long Island. Surace chegou a dar um carro modelo Honda Civic 2012 para a jovem, a fim de facilitar o seu deslocamento.

Ainda segundo a família, ela mantinha contato quase diário com a mãe via internet. Em sua última conversa, no dia 29 de março, disse que já havia pago o semestre da faculdade adiantado assim como os livros.

Investigação paralela

A família acredita que o laudo do suicídio seja precipitado, e quer que uma investigação particular seja feita. Para isso, solicitou uma audiência com a ministra da secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. “Para reabrir o caso é necessário um advogado americano, ao custo disso é de 50 mil dólares. Queremos que o governo nos ajude nisso, pois ela era uma cidadã brasileira e nada faz sentido para a gente nesse caso”, declarou Miller.

O corpo de Jhessica foi enterrado no dia 7 de abril, no cemitério do Caju, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O Itamaraty informou ao iG que deslocou funcionários que irão solicitar à polícia americana os laudos da investigação para repassar à família. A secretaria de Direitos Humanos da Presidência ainda não se manifestou sobre o pedido da audiência.

    Leia tudo sobre: jhessicaestados unidosmorte

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG