Policiais revistaram suspeita de forma abusiva nas partes íntimas

O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro denunciou, nesta sexta-feira, dois policiais militares do Batalhão de Choque (Bpchoq) pelo crime de tortura contra uma moradora da favela da Rocinha, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro. A promotoria denunciou ainda outro policial e uma mulher por falso testemunho.

De acordo com as 4° e 15ª Promotorias de Investigação Penal (PIPs), os policiais militares Renan Ribeiro de Souza e Cid Lima dos Santos foram chamados em abril deste ano pela moradora Francisca Pereira de Sousa que acusava uma vizinha de ter furtado sua bolsa. Ainda de acordo com Francisca, a vizinha escondia drogas e armas.

Segundo a denúncia do MP, após ser interrogada pelos policiais e negado a posse de entorpecentes e armas, a vítima teria dito aos agentes: "só se acharem que está dentro de mim". Neste momento, o policial Souza agrediu a suspeita com socos e chutes e passou a torturá-la, revistando-a de forma abusiva, em uma espécie de “revista íntima”. Já Santos presenciou a revista e corroborou com a tortura com ameaças verbais.

Um terceiro policial, que permaneceu do lado de fora da casa, assim como Francisca, foram denunciados por terem confirmado na delegacia a versão apresentada pelos outros dois policiais - o de que nada ocorrera.

Ainda segundo a denúncia, não houve crime de estupro, "pois o abuso cometido não teve a finalidade de satisfazer o desejo sexual dos denunciados, mas sim causar dor e sofrimento à vítima, buscando drogas no interior de seu corpo".

Foram pedidas as prisões preventivas dos dois policiais acusados de tortura, que já estão presos no BEP (Batalhão Especial Prisional).

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