Nem da Rocinha fica calado durante interrogatório em tribunal

Traficante reclamou por estar sendo processado várias vezes pelo mesmo fato

iG Rio de Janeiro |

O traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, manteve-se calado na audiência realizada nesta sexta-feira (11) no Tribunal de Justiça do Rio, no centro da capital fluminense. Ele utilizou-se do direito constitucional e não respondeu o interrogatório. A sessão de julgamento se referia a um processo em que Nem responde por compra e venda de armas e drogas na Favela da Rocinha.

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Domingos Peixoto / Agência Oglobo
Traficante Nem da Rocinha deixa fórum no Rio após depoimento dado na quinta-feira (10)
Ao ser interrogado, o traficante limitou-se a reclamar por estar sendo processado “mais de dez vezes pelo mesmo fato” e a dizer que as únicas pessoas que o chamam de “papai” são seus filhos. Essa última declaração foi dada por causa dos depoimentos feitos na audiência por três inspetores da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae).

De acordo com as testemunhas de acusação, a investigação policial que culminou no processo criminal avaliado hoje baseou-se em interceptações telefônicas feitas nos celulares de Rúbia Maria Soares e Abelardo Giovani, que pertenceriam à quadrilha de Nem, e que se referiam a ele como “Papai”. Pelas ligações, teria ficado claro que o “Papai” era o líder do tráfico na comunidade, o que fez os policiais chegarem à conclusão de que se tratava de Antônio Francisco Bonfim Lopes.

Os inspetores também afirmaram que Nem comandava o tráfico de drogas na Rocinha desde 2006 até a instalação da UPP e que era violento, apesar de querer parecer simpático aos olhos da comunidade, distribuindo presentes em datas especiais.

Um dos pontos principais da investigação aconteceu quando foi preso no Paraná um fornecedor de armas chamado Luiz Cláudio, que estava com uma lista contendo uma relação de armas e munições, com os respectivos preços, que coincidia com outra lista interceptada de uma mensagem de texto enviada por Rúbia, encomendando as armas por ordem de “Papai”.

Com o término da sessão desta sexta-feira, o Ministério Público e a defesa falarão agora no processo pedindo diligências (buscas ou pesquisas), caso julguem necessário. Em seguida, apresentarão as alegações finais e, no final, a juíza Alessandra de Araújo Bilac Moreira Pinto, em exercício na 17ª Vara Criminal da Capital, dará a sentença.

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