iG visita o Centro de Operações do Rio de Janeiro

Prefeitura reúne num mesmo endereço alta tecnologia e 400 profissionais com o objetivo de salvar vidas e evitar tragédias

Mariana Sant'Anna, iG Rio de Janeiro |

George Magaraia
Sala principal do Centro de Operações da Prefeitura do Rio
Quando, durante uma forte chuva no meio da noite, Eduardo Paes não conseguiu localizar todos os órgãos municipais e mobilizá-los para que uma tragédia fosse evitada, o prefeito decidiu que o Rio de Janeiro precisava de um centro de comando que pudesse não só prever eventos meteorológicos com antecedência como comunicar a população para evitar uma tragédia. A ideia do Centro de Operações da Prefeitura, pioneiro na América Latina, nasceu no início de abril de 2009 com um investimento total de R$ 25 milhões.

George Magaraia
Fachada do Centro de Operações
O iG visitou o espaço que reúne 400 colaboradores de mais de 30 órgãos municipais e estaduais, que ficam de olho em um telão de 80 metros quadrados que pode mostrar até 43 diferentes camadas de informações, além de imagens de mais de 600 câmeras distribuídas pela cidade. No endereço, localizado no centro do Rio, há também uma suíte para uso exclusivo do prefeito. Apesar de ser especialmente preparado para receber a maior autoridade municipal, o quarto não tem nenhum toque de luxo – não tem nem muito conforto. É uma sala de trabalho, com uma sala de reuniões, um gabinete, um banheiro e um pequeno quarto, onde Eduardo Paes descansou por apenas algumas horas enquanto bombeiros buscavam sobreviventes no centro do Rio, onde três prédios desabaram. Além de passar a noite, se for necessário, o prefeito também pode usar o local para fazer reuniões com o secretariado ou mesmo despachar em um dia comum.

Inaugurado em 31 de dezembro de 2010, o Centro tem como principal objetivo salvar vidas, de acordo com o coronel Bruno Braga, da Defesa Civil, um dos colaboradores que trabalham no local. O local recebe informações de radares meteorológicos, mapa de focos de dengue e por onde circulam os ônibus municipais, caminhões de lixo e ambulâncias, todos equipados com GPS, e também notícias vindas da imprensa ou pelo Twitter.

O trunfo para a prefeitura é poder responder rapidamente a qualquer informação que seja recebida. Se há um informe meteorológico de fortes chuvas, por exemplo, imediatamente a Defesa Civil é avisada e pode acionar seus sistemas de prevenção. Um deles é o alarme que avisa a moradores de morros com risco de desabamento para deixarem suas casas. “O alarme é acionado de dentro do Centro de Operações”, explica Sávio Franco, chefe executivo de operações. Além disso, no telão, aparecem os endereços e telefones dos pontos de apoio onde esses moradores devem se abrigar em caso de emergência. “Temos até o telefone do morador do ponto mais alto para podermos contatá-lo”, diz.

George Magaraia
Câmera mostra imagens do Túnel Rebouças, no Rio

25 mil seguidores no Twitter

Além do tradicional telefonema, o órgão tem outras formas de se comunicar com os moradores do Rio. A conta no Twitter tem mais de 25 mil seguidores e divulga diariamente as condições do trânsito na cidade, níveis de chuva e previsão do tempo, entre outros dados. O motorista pode perguntar qual o melhor caminho para chegar de um ponto a outro da cidade: os colaboradores do Centro de Operações respondem, pela própria rede social, qual o trajeto com trânsito mais livre.

Os moradores também podem se cadastrar para receber mensagens de texto no telefone celular com alertas. A Defesa Civil tem cerca de 27 mil usuários cadastrados no sistema, que não tem custo para o cidadão e pode ser usado por clientes de todas as operadoras de celular.

Toda a tecnologia é importante, mas só funciona porque é operada por pessoal capacitado, segundo o chefe-executivo. Ele explica que, além das câmeras que aparecem no telão, todas as outras estão nas telas de computadores dos operadores de cada um dos órgãos que compõem o Centro de Operações e esses profissionais fazem um monitoramento permanente das imagens. “O conteúdo do telão é completamente editável. Qualquer imagem pode ser ampliada de acordo com a necessidade”, diz Franco.

A rapidez de resposta do quartel-general foi testada no dia 25 de janeiro, quando três prédios desabaram no centro do Rio deixando 17 vítimas. Na ocasião, as equipes de resgate chegaram ao local apenas 20 minutos depois de os responsáveis serem informados. Durante a primeira noite de trabalho na busca por sobreviventes, o prefeito Eduardo Paes permaneceu na sua suíte no Centro de Operações.

George Magaraia
O modesto quarto do prefeito no Centro de Operações

Ponto turístico

E caso não possa comparecer ao Centro de Operações, o prefeito pode participar de reuniões em forma de holograma na sala de crise do órgão. O sistema de telepresença de última geração também está instalado na residência do prefeito e na sede da Defesa Civil do município e permite a conexão com mais 40 salas para reuniões. Então, de sua casa, Eduardo Paes pode tomar decisões em situações de emergência, como se estivesse pessoalmente no Centro de Operações, com um sistema mais moderno até do que era usado para evitar ataques terroristas no seriado americano “24 horas”.

O Centro de Operações recebe frequentes visitas de observadores do Brasil e do mundo para conhecer as instalações. Cerca de 60 delegações estrangeiras já passaram por lá. No mesmo dia em que a reportagem do iG visitou o local, uma comitiva do Ministério do Meio Ambiente da Holanda também fazia o tour para conhecer o funcionamento, tirando fotografias e dúvidas sobre os equipamentos. Tanta gente circulando poderia atrapalhar o trabalho dos técnicos do centro, mas todos os funcionários agiam com total naturalidade. O motivo para tamanha indiferença a visitantes tão ilustres? “Todo dia é assim”, afirma Franco. A previsão é que, durante a Rio+20, as delegações que participarem no encontro visitem o centro. 

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