Falta de recrutas gera "boom" de cursinhos preparatórios para a PM

Polícia se apressa em formar soldados por causa de UPPs, Copa e Olimpíadas, e candidatos se animam com menor risco, estabilidade e salário melhor

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Raphael Gomide
A redução da violência, com as UPPs, atraiu mais candidatos para a PMAs soldados da Rocinha se formaram em outubro
A necessidade da Polícia Militar do Estado do Rio de recrutar novos soldados para as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), a Copa do Mundo e as Olimpíadas está abrindo um novo front e gerando um "boom" de cursos preparatórios para concursos da PM. Atualmente são 44.047 policiais na força, mas a meta é chegar a 60 mil profissionais em 2016.

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Como as convocações de aprovados em concursos para a PM tem sido frequentes desde 2010 e a PM acelera a formação do soldado, cursos preparatórios antes especializados em outras carreiras públicas abriram os olhos também para os homens de farda.

Nos últimos três anos, tem aumentado consideravelmente a procura por vagas na PM. Os motivos são muitos, mas entre os principais estão o projeto de UPPs – que tem na falta de mão-de-obra um grande obstáculo –, a redução do risco para o PM nas ruas, o aumento de salário e as bolsas federais, que se somam aos rendimentos. O Estado passou a autorizar também o “bico” oficial, permitindo que PMs prestem serviço a prefeituras, recebendo horas-extras.

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Os rendimentos do soldado variam de cerca de R$ 1.200 a R$ 2.100, dependendo se é casado (auxílio-moradia de R$ 397), tem gratificação de atividade de R$ 350 e triênio (a cada três anos, aumenta cerca de R$ 100).

Reprodução
Curso faz propaganda de novo "produto", a preparação para a prova da PM
O recorde de candidatos a soldado da corporação ocorreu no concurso de 2010, quando houve 68.655 inscritos. Em 2009, já haviam sido 43.985 os postulantes, número 76% superior aos 25 mil candidatos de 2007, primeiro ano do governo Sérgio Cabral.

Os ex-policiais militares Leonardo Lima e Leonardo Galardo foram aprovados justamente nesse concurso de 2010 entre os 150 primeiros – Galardo foi o terceiro colocado. A partir de 15 de maio, os dois serão os coordenadores da primeira turma preparatória do Curso Fraga, há 25 anos no mercado e focado em provas da OAB e da Justiça. A ideia foi de Lima.

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“Com a inclusão no concurso de matérias como legislação de trânsito e direitos humanos, vimos a oportunidade de criar um novo produto, atrair candidatos e preparar pessoas para o concurso e para a PM. Acreditamos que o retorno será grande”, disse Lima.

O curso Progressão, que abriu filial na Ilha do Governador em 2011, estreia sua turma preparatória para a PM em 8 de maio. “O concurso (para a PM) tem muita vaga, e a prova não é tão puxada, então atrai muito aluno. O pessoal quer entrar na carreira pública”, afirmou Alexandre Menezes, supervisor financeiro da unidade Ilha do curso. Segundo ele, a PM representa uma “carreira estável”.

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“Ultimamente, com as UPPs, está mais tranquilo, as pessoas se sentem mais seguras para entrar na PM. Tem um bom salário e plano de carreira”, disse. Apesar disso, a maior parte dos interessados ainda é de homens – as mulheres optam por concursos para o TCE, por exemplo.

Segundo o fundador e supervisor comercial do Curso Maxx, Rodrigo Melo, a procura pelo curso preparatório para a PM é “gigante”. “No ano passado, tivemos dez turmas, em todas as unidades. Os cursos com maior procura são os para a PM e para a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária)”, disse Rodrigo Melo.

TASSO MARCELO/AGÊNCIA ESTADO/AE
A necessidade de ter mais PMs aumentou a demanda por cursinhos preparatórios para o concurso da corporação
Apesar da abertura dos cursinhos, ainda não há previsão oficial de novo concurso em 2012. O concurso de 2010 ainda vigora, e a PM prepara pedido de autorização para nova seleção de soldados em 2013.
Entretanto o governo e a PM têm pressa em acelerar as contratações para pôr policiais nas ruas, por conta da grande urgência de pessoal para as UPPs, principal programa de segurança do governo. Em 2011, houve 11 formaturas, somando 4.190 soldados; em 2012, já foram 1.578 novos PMs formados, em três ocasiões distintas.

Um problema histórico da Polícia Militar era a baixa taxa de aprovação nas provas e de incorporação dos classificados.

Em 2007, dos 25 mil inscritos, só 2.643 passaram pela prova escrita – a primeira de uma série de exames físicos, médicos, psicológicos, pesquisa social etc. antes da incorporação. Desses, só 1.142 foram incorporados, pouco mais da metade das 2.000 vagas disponíveis. Em 2008, o número foi parecido: só 1.668 candidatos entraram, apesar das 3.100 posições. Em 2009, sobraram 2.300 das 4 mil vagas ofertadas pelo concurso.

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Para facilitar o acesso e minimizar as chances de não completar seus quadros, a PM mudou a prova em 2010. O teste – antes apenas de português, matemática e redação – excluiu a “carrasca” matemática e passou a incluir matérias como Direitos Humanos, História e Geografia do Rio e Legislação de Trânsito. Apesar de a corporação negar que o exame está mais fácil, a aprovação na prova escrita saltou de cerca de 15% para 49% – passaram da primeira fase 33.400 dos 68.655 candidatos.

São esses que vêm sendo chamados em frequência quase mensal para iniciar o curso de formação com duração de seis meses no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças). Outra medida para acelerar a formação foi reduzir de oito meses para seis a duração da formação – foi cortado o estágio de dois meses em um batalhão da PM.

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