Ex-funcionários de antigo chefe do tráfico estariam por trás de guerra na Rocinha

Ex-subordinados a Joca, que dividiu o comando da favela com Nem anos atrás, Zork e Peteleco querem dominar toda comunidade

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

Divulgação/Polícia Civil do RJ
Traficante conhecido como Zork estaria comandando a guerra na Rocinha
Enquanto nos complexos do Alemão e da Penha os chefes do tráfico dividem as áreas sem guerra, no outro ponto principal do tráfico no Rio de Janeiro e que está ocupado pela PM desde novembro, a favela da Rocinha , na zona sul, bandidos da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) brigam desde o início do ano pelo controle da comunidade, que teria os pontos de vendas de drogas mais rentáveis no Rio.

Informações reservadas que chegaram à polícia indicam que dois ex-funcionários de um antigo chefe do tráfico na favela, João Rafael da Silva, o Joca, que chegou a dividir o comando da Rocinha com Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem , anos atrás, estariam promovendo a guerra: Alberto Luiz Justiniano Deodato, o Zork, e Zeus Pereira de Vasconcelos, o Peteleco. Os dois dominaram a parte alta da Rocinha.

A dupla está com a prisão decretada pelas mortes de quatro traficantes ligados ao bando de Amaro Pereira da Silva, o Neto, que estaria comandando a parte baixa da Rocinha, Segundo uma fonte da polícia, Zork e Peteleco teriam encontrado um grande arsenal enterrado na favela e tentam dominar também a parte baixa.

Na última quinta-feira (19), o Disque-Denúncia chegou a anunciar que Zork tinha sido preso mas a Polícia Civil desmentiu.

A disputa na Rocinha, de acordo com policiais, envolve muito dinheiro. Há informes de que as bocas de fumo continuam faturando alto e haveria muito dinheiro escondido em casas na comunidade.

Divulgação/Disque-Denúncia
Traficante Neto estaria de frente na parte baixa da Rocinha, revelam policiais
O traficante Neto também vem sendo investigado por mortes na favela. A polícia apura se ele poderia estar agindo a mando do traficante Nem, que está preso desde novembro na penitenciária federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Um dos homicídios é o do líder comunitário Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão , que respondia a processos na Justiça acusado de lavar o dinheiro de Nem. Um comparsa de Neto já foi preso suspeito de praticar o crime: Thiago Martins Cafieiro, o FM.

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A polícia investiga também se Neto estaria por trás também dos assassinatos dos traficantes Thiago Schirmmer Cáceres, o Leão ou Pateta, e Rodrigo Tavares de Paula, o PQD, mortos em fevereiro. Há informes que indicam que Pateta foi morto porque teria se aproximado da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), rival da ADA, e planejaria um “golpe de estado” na Rocinha.

Outro traficante do alto escalão da Rocinha que também está sendo procurado é Rodrigo Belo Ferreira, o Rodrigão. Ele também estaria na parte baixa, ocupando a localidade de Vila Verde.

'Estamos evitando os confrontos', diz major

Coordenador do policiamento na Rocinha, o major Édson Santos, afirmou ao iG , que tem conseguido evitar os confrontos entre as quadrilhas nas últimas semanas.

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"Estamos percorrendo as vielas permanentemente. Quem está em cima não consegue descer e quem está em baixo, não sobe. Os confrontos que podem ocorrer são entre a nossa tropa e suspeitos", disse.

Santos afirmou que tem uma equipe de 640 policiais que se revezam em escala para patrulhar a Rocinha. Sobre a guerra, o oficial afirmou ter recebido diversas informações e que ainda não tem um quadro preciso. Segundo ele, há informes até de que bandidos de uma outra facção criminosa, o Comando Vermelho (CV), poderiam estar na favela brigando com os rivais da ADA.

As mortes de Feijão e dos quatro bandidos ligados a Neto são investigadas pela Divisão de Homicídios. O delegado Rivaldo Barbosa afirmou ainda não ter a motivação para os crimes.

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