A violência nos países da América Latina tem a mesma face: vítimas jovens de mortes violentas provocadas por armas de fogo. O Mapa da Violência da América Latina, apresentado hoje pela Rede de Informação Tecnológica da Latino-Americana (Ritla), mostra que os 16 países da região pesquisados têm o mesmo perfil.

Mais do que isso, ocupam os postos mais altos no ranking de índices de homicídios, tanto na população em geral quanto na população jovem (15 a 24 anos). Em uma comparação com outras regiões do mundo, a América Latina é a que concentra as maiores índices de assassinato.

O mapa levou em conta 83 países cujos dados de mortes violentas estavam disponíveis no sistema de informações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os latino-americanos ocupam as quatro primeiras posições quando se considera homicídios na população em geral - com El Salvador, Colômbia, Venezuela e Guatemala - e as cinco primeiras quando se trata de homicídios na população jovem, em que aparece o Brasil como o 5º lugar.

O Uruguai, país com o índice de mortalidade mais baixo tanto na juventude quanto no restante da população, ainda é 35º no geral, com 4,5 mortes por 100 mil habitantes, e 27º entre população mais nova, com sete mortes de jovens por 100 mil habitantes. "Precisávamos estudar que fator cultural é esse que destoa a América Latina do restante do mundo", disse o autor do levantamento, o pesquisador do Julio Jacobo Waiselfisz.

Em uma comparação com outras regiões, a América Latina tem os maiores índices de homicídio. Segundo Waiselfisz, apenas o Caribe se aproxima. "Nem mesmo os Estados Unidos, onde a venda de armas é liberada, tem tantos casos de assassinatos por armas de fogo como na América Latina", afirmou o pesquisador. No Brasil, para a cada pessoa assassinada, 2,7 jovens de 15 a 24 anos são mortos. Em El Salvador, a proporção é de 3,3 para um e na Colômbia, dois para um. Apenas em Cuba, Costa Rica e México a diferença é inferior a 50%.

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