Risoterapia ajuda combater doenças como depressão, diz especialista

Conservar o sorriso no rosto exercitando o bom humor todos os dias pode exigir esforço, principalmente para quem vive nas grandes cidades. No entanto, especialistas destacam que a risoterapia faz bem à saúde e ainda pode ajudar no combate a doenças como a depressão.

Agência Estado |

"Rir libera serotonina, o hormônio da alegria, e ainda estimula a produção de endorfinas, substâncias de ação relaxante", diz a psicopedagoga Rumilda Fernandes, que coordena o Clube do Riso, Feliz, em São Paulo. O grupo se reúne às terças-feiras, quinzenalmente, para sessões de gargalhadas terapêuticas.

No Clube do Riso, dizer que "rir é o melhor remédio" não soa como piada. "Temos vários casos de pessoas que superaram a depressão por meio da risoterapia. Às vezes, a técnica é indicação do próprio médico", fala Rumilda. O poder do riso sobre a saúde também rege o trabalho da ONG Doutores da Alegria, que ministra doses de alegria pelos hospitais infantis de São Paulo por meio de seus "palhaços besteirólogos".

O mais novo argumento a favor da risada vem da cardiologia: segundo um estudo da Universidade de Maryland, em Baltimore (EUA), divulgado no último Congresso da Associação Americana do Coração (AHA), pessoas capazes de encarar com bom humor as adversidades cotidianas, como um pneu furado em dia de chuva, são menos suscetíveis aos ataques cardíacos. Para os incrédulos, vale considerar o lado fitness da alegria: a movimentação do diafragma e dos músculos abdominais envolvidos em dez minutos de riso é capaz de queimar cerca de 50 calorias.

Na avaliação de Rumilda, rir é questão de hábito. "Certas pessoas costumam rir tão pouco que durante os primeiros exercícios ficam até com dores nos músculos da barriga e da face Ficam um pouco tímidas no começo porque sentem vergonha, medo de se expor, mas logo se acostumam", garante. Segundo ela, há técnicas específicas para gargalhar terapeuticamente. "Trabalho com o riso técnico, há vários exercícios para soltá-lo: rir diante do espelho e fazer um concurso de gargalhada são algumas delas".

Endorfinas

Rumilda, que planeja franquear o Clube do Riso Feliz para várias regiões do País, enfatiza que a gargalhada é essencial para quem vive em cidades hostis, tomadas pela violência. "Em um lugar como São Paulo, em que todos andam com o semblante fechado, como se fossem brigar a qualquer momento, rir é essencial. O mau humor é mais nítido na cidade grande. E uma pessoa de mau humor não tem disponibilidade para rir, não tem flexibilidade para encontrar alternativas para problemas que parecem não ter solução".

Especialista em comportamento humano e autora do livro "Talento para ser Feliz", Leila Navarro garante que até mesmo o riso forçado proporciona benefícios. "Quando você começa a rir, mesmo que não esteja feliz e nem tenha ouvido uma boa piada, libera endorfinas, substâncias que proporcionam bem-estar. O melhor de tudo é que o riso não tem contraindicação. Você também pode ‘endorfinar’ comendo chocolate, fazendo amor ou correndo, mas rir não traz sentimento de culpa ou preocupações posteriores", destaca.

Giuliana Reginatto

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