Rio vai adotar sistema de transplantes de São Paulo para evitar fraudes

RIO DE JANEIRO - O Rio de Janeiro vai adotar, dentro de três meses, o sistema de transplantes utilizado pelo estado de São Paulo. O objetivo é aumentar o controle sobre a fila de pacientes que aguardam por um órgão, evitando fraudes como a descoberta pela Polícia Federal (PF) na Operação Fura-Fila, deflagrada nesta quarta-feira.

Agência Brasil |

A superintendente de Atenção Especializada da Secretaria de Estado de Saúde, responsável pela Central de Transplantes, Hellen Miyamoto, considera que o novo sistema é mais transparente e seguro que o atual, desenvolvido pelo Ministério da Saúde.

"O novo software permite a visualização de informações que são extremamente importantes para a gente poder fazer a distribuição correta dos órgãos e evitar qualquer procedimento que não seja o da legislação atual, como a inclusão de pacientes que não têm os critérios estabelecidos no momento da inscrição e a utilização de órgãos que não foram selecionados pela central", disse a médica.

A operação Fura-Fila foi deflagrada nas primeiras horas da manhã e resultou na prisão do médico Joaquim Ribeiro Filho, ligado à equipe de transplante de fígado do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os médicos Eduardo de Souza Martins Fernandes, Samanta Basto, Giuliano Ancelmo Bento e João Ricardo Ribas também foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) pelo crime de peculato, que é a apropriação indevida exercida por servidor público.

Segundo o superintendente da PF no Rio, delegado Valdinho Jacinto Caetano, as investigações comprovaram o recebimento de dinheiro para facilitar o esquema. "Nós constatamos, em uma situação, o pagamento de R$ 250 mil para a
feitura de um transplante", disse o delegado.

O superintendente da PF explicou a dinâmica do golpe, que privilegiava pacientes que necessitavam de transplante com a concessão de órgãos antes de outros que estavam há mais tempo na fila.

"O órgão era utilizado de acordo com o interesse dessa equipe. Pegava-se alguém que estivesse muito atrás na fila, ele era levado para uma clínican particular e esse órgão era implantado nessa pessoa, de acordo com o interesse dessa pessoa e da equipe médica, por meio de vantagens oferecidas à equipe", detalhou Caetano.

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