Rio terá mais quatro tendas de combate à dengue e ajuda de médicos do Albert Einstein

RIO DE JANEIRO - O governo do Rio de Janeiro anunciou, nesta segunda-feira, um pacote que engloba mais de dez ações na prevenção e combate à dengue no Estado. Entre as medidas, apresentadas após reunião entre secretários estaduais no Palácio Guanabara, está a instalação de quatro novas tendas de hidratação venosa esta semana para atender aos doentes.

Redação com agências |

Uma delas, que será instalada no quartel do Corpo de Bombeiros no Méier, na zona norte da cidade, será operada por 44 profissionais de saúde do hospital Albert Einstein, que ofereceu a equipe ao Rio sem ônus para o Estado. A unidade funcionará em apoio ao Hospital Municipal Salgado Filho, que está sobrecarregado desde a epidemia.

Eles vão se juntar ao grupo de médicos enviado por outros Estados ao Rio para ajudar no atendimento a pacientes com dengue, que já conta com 27 profissionais do Amazonas, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

O secretário afirmou ainda que os médicos do Rio, que reclamam um pagamento por plantão igual ao dos profissionais de outros Estados que virão à capital fluminense para reforçar o atendimento, poderão receber a mesma remuneração de R$ 500. "Não vou polemizar quanto vale um plantão. Quero saber quanto vale uma vida", rebateu Côrtes.

Outra medida anunciada pelo governo é encaminhamento de mensagem à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro pedindo a aprovação de uma lei que obrigue lojas de material de construção a vender separadamente tampas para caixas d'água. Atualmente, a venda é casada.

No campo da prevenção, a idéia também é mobilizar as 1,6 mil escolas do Estado, que ajudarão a fazer o trabalho de conscientização entre a população, e ainda iniciar a campanha Lixo Zero nas comunidades atendidas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). São elas: Manguinhos e Complexo do Alemão, na zona do norte e Rocinha, na zona sul.

De acordo com os últimos dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde, até o dia 2 de abril foram registrados 57.010 casos de dengue do Rio de Janeiro, dos quais 65% são na capital. O total de mortos chega a 67.

Mais uma morte suspeita

No fim de semana, mais um adolescente foi enterrado com suspeita de morte por dengue hemorrágica. Danilo Romano de Souza, de 14 anos, foi ao Hospital Pedro II, em Santa Cruz, na zona oeste, por causa de uma fissura no pé, mas já sentia sintomas da dengue, como febre, dores de cabeça e no corpo.

O médico receitou um antiinflamatório para o pé, o que teria agravado o estado do menino, que morreu na noite de sábado.

"Meu pai já estava desconfiado e pediu o exame de sangue, mas os médicos afastaram a possibilidade de dengue. Ninguém nos orientou a voltar ao hospital e repetir os exames. Depois de cinco dias com dores, meu irmão entrou em choque e teve uma parada cardiorrespiratória. Antes, ele ficou quatro horas sentado num banco de cimento do hospital, recebendo soro", contou Daniel Romano de Souza, de 25 anos.

De acordo com Maurício Ezequiel de Souza, de 47 anos, pai do estudante, o médico plantonista que atendeu Danilo na madrugada de sábado disse que o estado de saúde do menino foi agravado pelo antiinflamatório.

"Com certeza falharam com meu filho. O médico chegou a perguntar quem tinha receitado o Cataflan. Ele disse que era um absurdo receitar esse medicamento numa epidemia de dengue", contou Souza. "Vou processar o governo do Estado para que outras crianças não morram por descaso", afirmou. O caso será investigado.

(* com informações da Agência Brasil e Estado)

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