Em cada dia de 2007, 174 mulheres foram ameaçadas no Rio, 3 foram vítimas de atentado violento ao pudor, 4 sofreram estupro e 1 foi assassinada. Os dados fazem parte do Dossiê Mulher , relatório divulgado hoje pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) a partir dos registros de ocorrência nas delegacias do Estado.

"O Dossiê Mulher é um instrumento valioso para o trabalho sobre a violência contra a mulher, para o aperfeiçoamento das políticas públicas", afirmou a coordenadora do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Cecília Teixeira Soares.

"Mesmo que os números sejam parciais, porque ainda há muita subnotificação, é importante conhecer a realidade denunciada, até para que a gente possa implementar políticas de incentivo, como o projeto de lei de notificação compulsória de violência contra a mulher nos serviços de saúde", disse.

As estatísticas mostram que houve aumento nos registros dos crimes em que as mulheres são vítimas. Os casos de estupro cresceram 7,7% entre 2006 (1,28 mil) e 2007 (1,38 mil). O número de mulheres vítimas de lesões corporais dolosas subiu de 42,70 mil para 45,5 mil - alta de 6,7%. Os registros de atentado violento ao pudor cresceram de 1,31 mil para 1,27 mil (aumento de 2,7%).

A socióloga Andréia Soares, responsável pela pesquisa, afirmou que esses dados não significam aumento da criminalidade contra a mulher, mas que os casos passaram a ser registrados nas delegacias. Para Andréia, também melhorou a qualidade da informação obtida dos boletins de ocorrência. As ocorrências de lesão corporal dolosa proveniente de violência doméstica - subclassificação de lesão corporal que começou a ser adotada em 2004 - passaram de 8,73 mil em 2006 para 19,62 mil.

Perfil

O relatório também informa o perfil das vítimas. Em 2007, as mulheres que sofreram estupro eram solteiras (75,8%), com idade entre 12 e 24 anos (54,6%) e de cor branca (41,7%) ou parda (39,6%). Mais da metade delas conhecia o agressor. Entre as vítimas de atentado violento ao pudor, 42,5% tinham entre 0 e 11 anos, 61,1% conheciam o acusado. Em um terço dos casos, o criminoso tinha grau de parentesco com a vítima. O levantamento foi lançado na sede do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, com a presença de delegadas-titulares das nove Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher do Estado e de representantes de entidades de defesa dos direitos femininos.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.