Rio promete acelerar reassentamentos; mortos são 232

RIO (Reuters) - Enquanto equipes de resgate continuavam nesta segunda-feira a procura por vítimas das chuvas da semana passada no Estado do Rio de Janeiro, autoridades detalharam um projeto para reassentar milhares de pessoas afetadas pela tragédia que deixou ao menos 232 mortos. Sete dias após o início das chuvas no Estado, familiares e vizinhos ainda acompanhavam ansiosos os trabalhos dos bombeiros no Morro do Bumba, em Niterói, onde até 50 pessoas ainda podem estar soterradas após o deslizamento de quarta-feira à noite que derrubou dezenas de casas numa área construída sobre um lixão.

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O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito da capital, Eduardo Paes, apresentaram os planos para a construção de 2.000 a 2.500 casas populares para as vítimas das fortes chuvas. As novas moradias serão construídas no terreno do antigo presídio da Frei Caneca, no centro da cidade, implodido no mês passado.

"Estamos nos esforçando para que as obras comecem já em 90 dias", disse Cabral a jornalistas ao visitar o terreno do antigo presídio.

De acordo com a prefeitura do Rio, moradores das comunidades Fogueteiro e Morro dos Prazeres, serão os primeiros beneficiados com as novas casas. Ao todo 8 mil moradores de oito favelas em áreas de risco ou que perderam suas casas com as chuvas serão reassentados na capital.

Dados da Defesa Civil estadual apontam que mais de 11 mil pessoas ficaram desabrigadas como consequência das chuvas no Estado, enquanto outras 60 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas residências em áreas de risco.

O prefeito Eduardo Paes informou que a prefeitura do Rio vai pagar um aluguel social de até 400 reais para as pessoas que serão removidas enquanto as obras estiverem em execução.

Durante o fim de semana, Cabral anunciou que o plano de ajuste fiscal estadual viabilizaria um orçamento de 1 bilhão de reais para a remoção de famílias e a construção de novas moradias no Estado. Um plano diretor de remoção também foi criado para estabelecer critérios para a remoção de moradores de áreas de risco.

AJUDA DO PAPA

No Morro do Bumba, continuavam os trabalhos de resgate aos desaparecidos que poderiam estar soterrados após o deslizamento da encosta. Niterói foi a cidade mais castigada, com 147 mortes.

Em São Gonçalo, município vizinho de Niterói onde morreram 16 pessoas, um hospital de campanha do Exército começou a funcionar para atender as vítimas das chuvas.

"Os moradores que sofreram com as enchentes podem sofrer problemas de pele, leptospirose e diarréia como consequência. Estamos aqui para ajudar nesse momento específico depois das enchentes", disse a major Simone Moura, responsável pelo hospital montado no bairro Jardim Catarina.

A arquidiocese do Rio informou também nesta segunda que o papa Bento 16 destinou uma doação de 50 mil dólares "àqueles que foram atingidos pelos deslizamentos provocados pela chuva torrencial que devastou algumas favelas na cidade do Rio de Janeiro".

O valor é o mesmo prometido pelos EUA para ajudar às vítimas da tragédia. O governo federal informou na semana passada que vai destinar 200 milhões de reais ao Estado do Rio para ajudar na reconstrução das cidades afetadas pelas chuvas.

(Por Rodrigo Viga Gaier; com reportagem da Reuters TV)

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