Rio Grande do Sul vive clima de extremos e pede ajuda da União

No total, 19 municípios gaúchos foram afetados pela seca ou pelas chuvas dos últimos dias e 12 deles estão em estado de emergência

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Naurro Júnior/Agência RBS/AE
Agricultor vê seu cavalo morto pelas secas no Rio Grande do Sul

Estiagem na Metade Sul do Estado, na fronteira com o Uruguai. Chuvas fortes e alagamentos em cidades espalhadas por diversas regiões, principalmente no litoral norte. O Rio Grande do Sul tem vivido os dois extremos nas últimas semanas. A situação levou o governo estadual a pedir ajuda da União, que anunciou o envio de recursos para os municípios atingidos pela seca. Enquanto isso, especialistas apontam a necessidade de prevenção à escassez ou abundância de água.

No Sul e Sudoeste do Estado, municípios como Bagé e Santana do Livramento decretaram situação de emergência devido à estiagem. Já no litoral Norte, na Grande Porto Alegre e nos vales dos rios, alguns municípios vêm sofrendo com as fortes chuvas dos últimos dias. A litorânea Torres foi atingida por uma chuva de 173,0 milímetros nesta semana. Segundo a empresa Metsul Meteorologia, é um dos maiores volumes de chuva na história do município.

No total, 19 municípios gaúchos foram afetados pela seca ou pelas enxurradas dos últimos dias. A Defesa Civil decretou que 12 cidades estão em emergência, a maioria em decorrência da estiagem, sendo que o município de Jaguarão foi atingido por granizo. Herval, na região sul, decretou emergência pela seca e também pelo granizo.

“O governo do Estado vem desenvolvendo uma série de ações. A Defesa Civil vem atuando na emergência, levando cestas básicas, equipamentos e ajudando no transporte de água”, explica o major Oscar Luis Moiano, coordenador da Defesa Civil.

Nesta quinta, a Defesa Civil enviou 2,4 toneladas de alimentos para o município de Cerrito e 1,6 tonelada para Pedro Osório. Nesta sexta, Hulha Negra recebe 12 toneladas de alimentos e quatro reservatórios-pipa, com capacidade de 4,5 mil litros de água cada. Segundo informações do órgão estadual, já foram entregues 25,9 toneladas de alimentos, 150 filtros de água e disponibilizadas seis pipas. Trabalham na região 31 máquinas locadas pelo governo para a abertura de açudes e perfuração de poços artesianos.

As perdas das seca afetam principalmente as zonas rurais. No sábado, o governador Tarso Genro (PT) sanciona uma lei de anistia das dívidas de 45 mil pequenos agricultores e assentados da reforma agrária. Segundo o governo, a maioria dos débitos não passa de R$ 3 mil.

Recuros federais

O vice-governador Beto Grill (PSB) e o secretário estadual do Trabalho e do Desenvolvimento Social, Luis Augusto Lara, estiveram reunidos com os prefeitos da Metade Sul nesta quinta, no município de Herval. Técnicos do Ministério do Desenvolvimento Social ajudaram as prefeituras a elaborar os projetos necessários para a liberação de recursos da União.

Na quarta-feira, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) anunciou o envio de uma verba ao Rio Grande do Sul para a construção de quatro mil cisternas de 16 mil litros cada, com capacidade para abastecer uma família de cinco pessoas por seis meses. Além disso, o ministério autorizou a ampliação do número de famílias beneficiadas pelo programa Bolsa Família na região.

Fenômeno cíclico

De acordo com o meteorologista Eugenio Hackbart, diretor-geral da MetSul Meteorologia, a influência do fenômeno "La Niña" e o aquecimento das águas do Oceano Atlântico são alguns dos fatores que explicam a distribuição irregular de chuvas no Rio Grande do Sul nesta época do ano.

Segundo o especialista o fenômeno se repete ciclicamente, a cada cinco anos. Ele lembra da forte seca que atingiu o Rio Grande do Sul entre 2004 e 2005, por exemplo. Por outro lado, alerta que o mês de janeiro ainda registrará temporais no Estado, como acontece quando a seca começa no último trimestre anterior, como no caso atual. “É um fenômeno de compensação que a natureza nos apresenta. Ainda no mês de janeiros, teremos chuva forte”, completa.

Os períodos de seca prolongada e a ocorrência de enchentes no Rio Grande do Sul alertam os especialistas para a necessidade de prever e se antecipar aos fenômenos climáticos. Desde o ano passado, o Centro de Ensino e Pesquisa em Desastres (Ceped) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) trabalha no levantamento de dados sobre a estiagem e os temporais no Estado.

“Há alguns anos vêm se discutindo a prevenção. Precisamos entender a realidade para desenvolver estratégias que mitiguem estes desastres, não ficando só na resposta”, defende o coordenador do centro, Luis Carlos Pinto da Silva Filho. Ele destaca, porém, que ainda existem poucas informações. “O maior problema é o baixo número de instrumentos. A cobertura de dados ainda é muito pequena”, destaca.

Em parceria como Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o Ceped desenvolve uma experiência pioneira na região do vale do rio Paranhana, que costuma provocar estragos na época das chuvas. São 20 medidores instalados em diversos pontos, a fim de criar modelos de simulação. O objetivo é desenvolver um mecanismo de previsão de uma enxurrada até 12 horas antes da ocorrência.

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