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Rio e São Paulo recebem maratona de documentários do É Tudo Verdade

SÃO PAULO ¿ O festival de documentários É Tudo Verdade, maior evento do gênero na América Latina, chega este ano à 14ª edição ampliando seu calendário. Ainda gratuito, apesar da crise financeira que começa a mostrar a cara em território nacional, o festival tem uma primeira etapa já acontecendo em São Paulo e Rio de Janeiro, com os filmes em competição. No segundo semestre, ainda sem data definida, retorna exclusivamente para exibir retrospectivas e abrigar mostras especiais.

Redação com Agência Estado |


Segundo o diretor-geral do É Tudo Verdade, Amir Labaki, essa alteração estrutural significativa é resultado de um pedido do próprio público, já que, em outras edições, a fartura de filmes agendados ¿ em média 110 para nove dias ¿ deixava pouco espaço na agenda para reprises. Decidimos que era importante aumentar a chance das pessoas assistirem aos filmes. Agora, haverá um número maior de sessões para cada documentário, explicou.

Em São Paulo, a abertura para convidados foi ontem. O filme escolhido para a abertura foi "Cartas ao Presidente", do checo Petr Lom, que coloca em discussão o populismo do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. No Rio de Janeiro, a abertura é hoje. Os cariocas vão ver "Domingos", um perfil do cineasta e dramaturgo Domingos de Oliveira, traçado pela atriz - e agora diretora - Maria Ribeiro.

Batendo à porta das empresas nacionais, a crise financeira também teve reflexo, mesmo que brando, na produção do evento. Houve atraso na definição de aportes dos patrocinadores e perdemos em torno de 15% do orçamento previsto para este ano, contou Labaki. Segundo ele, a divisão do calendário vai acabar encarecendo os custos com equipe, salas e tradução, mas ao mesmo tempo aumentará o prazo de captação de recursos.


Sete documentários estão na disputa na competição de longa-metragem brasileiro, seis deles inéditos. O único exibido anteriormente é um dos mais aguardados ¿ Garapa, de José Padilha (Tropa de Elite, Ônibus 174) participou em fevereiro de uma mostra paralela no Festival de Berlim, inaugurando na Europa uma discussão que deve ser bem mais intensa no Brasil: a fome no mundo, mostrada no filme através de famílias do sertão cearense.

O veterano Eduardo Coutinho (Jogo de Cena, Edifício Master), um dos mais importantes nomes do documentário nacional, vai mostrar em primeira mão Moscou, os bastidores da montagem do Grupo Galpão, de Belo Horizonte, para o texto Três Irmãs, de Tchecov. Outros destaques são Cildo, de Gustavo Rosa de Moura, sobre o premiado artista plástico brasileiro Cildo Meirelles, e Corumbiara, registro de Vincent Carelli para o massacre indígena que ocorreu em 1985 em Rondônia. O vencedor ganhará o Prêmio CPFL de R$ 100 mil, o maior do gênero no País.

A mostra estrangeira, por sua vez, tem 12 longas e médias-metragens selecionados entre 115 inscritos de todo o mundo. Segundo Labaki, os concorrentes conjugam jovens talentos e vencedores de importantes competições internacionais. É o caso do britânico Tias Duronas (Rough Anties), vencedor em Sundance 2009, o alemão Esquecido Papai (Forgetting Dad), ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Amsterdam, e Segundas Sangrentas & Tortas de Morango, ensaio sobre o tédio narrado por John Malkovitch, premiado na Holanda.

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