Rio de Janeiro x São Paulo: conheça as principais diferenças das favelas

Cidade do Rio tem mais favelas grandes e perto do centro da cidade, já São Paulo possui mais favelas pequenas e na periferia

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro abrigam, somados, mais da metade das favelas do Brasil e respondem por 41,5% da população que vive nessas “aglomerações subnormais”, mostra o Censo Demográfico 2010 do IBGE .

São Paulo tem 2.087 favelas, o equivalente a 33% das favelas nacionais, e o Rio tem 1.332 (21%), mas as características desses locais de moradia são muito distintas nos dois Estados.

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No município do Rio de Janeiro, predominam as comunidades maiores, com mais de mil domicílios (57,8%), e os complexos de favelas, em meio à cidade; em São Paulo, essas comunidades ficam principalmente na periferia e são menores, na maioria (69,5%) com menos de mil habitantes.

De acordo com o estudo, as áreas mais densas, com mais de mil habitantes, prejudicam a qualidade de vida da população, já que a circulação de ar e a iluminação são críticas. Nas favelas menores há mais espaço para a circulação de ar.

Quase a metade dos 92 municípios do Rio tem aglomerados subnormais – termo técnico do IBGE para favela. Só 60 das 645 cidades paulistas têm comunidades (9,3%).

A favela é relevante forma de moradia do carioca. Quase um quarto (22%) – 1,39 milhão dos 6,2 milhões – dos habitantes da cidade do Rio mora em uma das 763 comunidades da capital, que abriga 57,3% das 1.332 do Estado. O número é proporcionalmente, praticamente o dobro daquele da capital paulista, onde “apenas” 11,4% dos 11,2 milhões de habitantes vivem em favelas. Em todo o Estado do Rio, 2 milhões de pessoas vivem em comunidades.

Assim, embora o maior e mais rico Estado do País tenha mais favelas – 2.087 frente a 1.332 do Rio –, proporcionalmente, e em diversos aspectos, o Rio é mais favelizado do que o vizinho. As residências em favelas fluminenses têm, em média, 3,3 moradores, menos que os 3,6 das congêneres paulistas.

Favelas ficam perto de áreas nobres no Rio e na periferia de São Paulo

Na capital do rio de Janeiro as favelas se concentram próximas ao centro e nas zonas sul e norte, em locais com grandes concentrações de emprego e infraestrutura. Muitas estão na zona sul da cidade, área nobre e turística. Bairros com IPTU elevado, como Leblon, Lagoa, Ipanema, Gávea, São Conrado e Copacabana têm favelas em seu território ou como vizinhas próximas.

Saiba qual é a maior favela do Norte e Nordeste

A Rocinha, favela-símbolo e maior do Brasil, por exemplo, fica na fronteira entre São Conrado e Gávea, e a um túnel de distância do Leblon, metro quadrado mais valorizado da cidade e, talvez, do País.

Assim como o vizinho Vidigal, a Rocinha cresceu em paralelo com os bairros próximos. As duas comunidades têm perfil parecido e ilustram a ocupação irregular dos espaços na cidade: são de grande porte (69 mil e 9.678 moradores), localizadas em encostas íngremes deixadas de lado pela urbanização formal na zona sul, tem alta densidade domiciliar e acessibilidade precária, com vielas e becos. Ambas têm como cenário vistas deslumbrantes –o Vidigal fica em um morro à beira do mar, na Avenida Niemeyer, com vista para o oceano e o Leblon.

Outros grandes aglomerados e complexos de favelas se localizam no eixo das linhas de trem, uma opção de transporte para o trabalho, caso dos complexos do Alemão e Penha, da Maré e do Jacarezinho, todos na zona norte e no subúrbio da capital.

Já na capital paulista, as favelas ficam a quilômetros de distância do centro. Bairros periféricos como o Grajaú, na zona sul, São Miguel, na zona leste e Tremembé, na zona norte, concentram favelas. É possível notar no mapa que não há nenhum registro de favela perto da Sé, marco central da capital. Bairros nobres como Moema e Lapa aparecem bem distantes das favelas.

Pará tem a capital e a cidade com a maior proporção de moradores em favelas

Diferentemente do Rio, os moradores das favelas não têm acesso fácil ao transporte público. Para ir ao trabalho, a maioria precisa fazer grandes deslocamentos e trocar o meio de transporte. Há relatos de pessoas que demoram mais de 4 horas para se deslocar ao trabalho.

“Complexos de favelas”
Uma peculiaridade do Rio de Janeiro são exatamente os chamados “complexos” de favelas. De tão próximos uns dos outros, morros e aglomerados populares acabam por fazer uma conurbação, formando uma só favela, de fato, embora haja diferentes comunidades.

O caso mais representativo é o dos complexos do Alemão e da Penha, que reúnem, somados, 94.686 moradores e se notabilizaram pela violência, desde a morte do jornalista Tim Lopes, em 2001, e mais recentemente, pela grande operação que resultou na tomada da área pelas forças de segurança, em novembro de 2010.

O que se convencionou chamar de “Complexo do Alemão” é, na verdade, a soma de 11 favelas do Complexo do Alemão (Morro do Alemão mais dez, e 56.556 moradores) a sete do Complexo da Penha (Vila Cruzeiro mais seis, somando 38.130 habitantes).

Há muitos outros complexos no Rio, mais ou menos numerosos, espalhados pela capital e que levam o nome de sua comunidade principal, como os da Maré, de Manguinhos, Jacarezinho, Turano, São João, Tijuquinha, Rio das Pedras.

* Colaborou Cíntia Acayaba, de São Paulo

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