Numa tentativa de reduzir danos, a prefeitura do Rio vai abrir um centro de atendimento para crianças e adolescentes dentro da cracolândia de Manguinhos, zona norte, principal reduto de uso e venda desta droga na cidade. Os jovens poderão frequentar o lugar - tomar banho, se alimentar e até dormir -, sem que fiquem internados ou sejam obrigados a permanecer ali.

"Quando cheguei à secretaria, eu tinha na minha cabeça que era para pegar e internar mesmo. Mas quem está na rua, quem acompanha, sabe que um menino desses que não quer o tratamento, é capaz de destruir um abrigo, fazer uma rebelião. É preciso convencê-lo. Por isso a necessidade de um espaço intermediário, onde ele pode ser acolhido e ter o acompanhamento de psicólogas", afirmou o secretário de Assistência Social, Fernando William.

O centro com o novo modelo de atendimento foi batizado de Embaixada da Liberdade e está previsto para ser aberto no fim do mês. Além de Manguinhos, haverá outra casa no mesmo molde em Laranjeiras, na zona sul. Cada uma preparada para 25 crianças e adolescentes. "Quando eles derem sinais de que aceitam o tratamento, serão encaminhados para os abrigos".

O prefeito Eduardo Paes anunciou hoje a abertura de 60 vagas de internação para meninos e meninas na zona oeste. Os três centros serão administrados pela Casa Espírita Tesloo, entidade que ganhou licitação aberta pela prefeitura. Entre as medidas previstas no plano municipal contra o uso do crack, está a capacitação de professores da rede pública para que possam identificar "mudanças de comportamento" dos alunos. Os estudantes também vão aprender em sala de aula sobre o efeito destrutivo do crack.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.