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Rio compra mais nove caveirões para operar em favelas

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Secretaria da Segurança Pública do Rio de Janeiro anunciou nesta quinta-feira a compra de nove veículos conhecidos como caveirões, aumentando de 12 para 21 a frota desses blindados no Estado. Os caveirões são usados em operações em morros e favelas do Estado. Estampado com o emblema do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio (Bope) -- um crânio sobre duas pistolas com um punhal cravado na parte superior --, o blindado causa nas comunidades. Sua chegada é, na maioria das vezes, sinônimo de mortes nos morros. Os novos modelos terão um reforço na parte dianteira para derrubar barricadas montadas por traficantes na entrada das favelas afim de dificultar o acesso dos blindados.

Reuters |

Os blindados foram arrematados em pregão eletrônico por um total de 3,6 milhões de reais.

A empresa paulista vencedora do pregão eletrônico deve entregar os veículos ao longo do segundo semestre.

'O primeiro chega na segunda-feira, e na outra, mais três.

Os demais serão entregues de quinze em quinze dias', disse um assessor da Secretaria de Segurança Pública do Rio.

Os 'caveirões' tem capacidade para transportar até vinte policiais e podem suportar disparos de armas calibre ponto 30, capazes de derrubar helicóptero.

'É indispensável a presença de blindados mais ágeis, com capacidade de locomoção e dirigibilidade mais próximos dos veículos convencionais', disse o chefe da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (CORE), Rodrigo de Oliveira.

'Não só por causa da rapidez e da precisão do serviço, mas pela dificuldade de acesso imposta pelos tipos de terrenos em que operamos. Há também os obstáculos criados pelos criminosos, que tentam impedir o nosso trabalho'.

A Polícia Civil ficará com dois dos nove blindados, e os demais serão utilizados pela Polícia Militar.

'Ao longo dos anos utilizamos os blindados nas mais diversas situações. Por isso, constatamos a necessidade de adquirirmos viaturas com equipamentos e acessórios específicos, que atendam às exigências técnicas e táticas das ações operacionais em áreas de alto risco', avaliou o comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar (Bope), tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), condenou a compra de novos blindados.

'Sou radicalmente contra os caveirões. Nossa polícia precisa de salários melhores, investimento e, principalmente, inteligência. A opção pela guerra é ineficaz e incipiente', declarou o parlamentar.

(Por Rodrigo Viga Gaier; Edição de Fabio Murakawa)

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