A Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, a Sbat, inicia hoje seu projeto de revitalização. Uma grande festa à noite, na Cantina La Fiorentina, no Rio, tradicional reduto de profissionais das artes cênicas, vai marcar o relançamento de sua Revista do Teatro e o anúncio da recuperação de seu importante acervo, que compreende originais, traduções e outros documentos de praticamente todos os criadores da área.

"O projeto de recuperação da Sbat depende do fortalecimento do seu caráter de centro cultural", comenta o diretor Aderbal Freire-Filho, um dos persistentes artistas que decidiram recuperar a imagem e a honra da instituição.

Fundada em 1917 por um grupo de 21 pessoas, como a compositora Chiquinha Gonzaga, o cronista João do Rio (seu primeiro presidente) e o escritor Viriato Corrêa, a Sbat surgiu como um abrigo para os dramaturgos, tornando-se logo um reduto para a solução dos problemas da classe. "Embora não fosse um órgão do poder público, ou mesmo criado por intermédio do poder público como é o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), a Sbat tornou-se uma entidade que também regulava, de uma certa forma, a produção teatral", comenta a atriz e produtora Ana Velloso, da empresa Lúdico, que trabalha no processo de recuperação do acervo. "Tanto que foi ela que instituiu a prática, em vigor até hoje, do recolhimento dos 10% da renda da bilheteria para o autor."

Uma série de más administrações, porém, começou a corroer a sólida reputação da entidade. Desvios de verba e descasos administrativos de alguns presidentes provocaram uma dívida imensa (mais de R$ 2 milhões) e a perda de patrimônio, com a penhora de diversos imóveis. "Eram práticas horríveis, como o superfaturamento de contas e o não pagamento de outras", relembra Ana Velloso que, ao lado de um grupo de notáveis (Millôr Fernandes, Alcione Araújo, Orlando Miranda, Ziraldo e o próprio Aderbal Freire-Filho, entre outros), assumiu a direção da Sbat no início de 2007.

Além desses problemas, outro, gravíssimo, era imposto ao grupo: a devolução do importante acervo da Sbat, então guardado na Biblioteca Nacional. Ameaçado de deterioração, o material exigia recuperação imediata assim como um local apropriado para ser guardado. A solução veio com um financiamento da Petrobras, que permitiu não só o tratamento adequado (muitos papéis corriam sério risco por conta do mofo) como o trabalho de digitalização, o que vai permitir que, dentro de três meses, a documentação entre 1917 e 2007 seja consultada na internet. A questão da acomodação do material foi resolvida com um acordo com a Biblioteca Nacional, que vai abrigar o acervo em um prédio anexo, também reformado pela Petrobras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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