Resultado da perícia do carro atingido por policiais militares no Rio sai nesta quinta

BRASÍLIA - Os peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) entregam, nesta quinta-feira, a perícia feita no carro da família do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, baleado na cabeça na noite do último domingo, na Tijuca, zona norte do Rio. Segundo testemunhas, militares que perseguiam quatro homens suspeitos confundiram o carro que os conduzia com o da advogada Alessandra Soares, que transportava os dois filhos, um de 3 anos e outro de nove meses.

Redação com Agência Brasil |


Ela enconstou o carro para dar passagem à polícia e começou a ser atingida por uma série de tiros. Um dos disparos atingiu o menino João Roberto na cabeça.

O Comandante Geral, coronel Gilson Pitta, disse que, devido ao clamor público, a punição administrativa ao cabo William de Paula e ao soldado Elias Gonçalves Neto, pode sair ainda nesta quinta. Os dois militares já estão com a prisão temporária decretada pela Justiça.

Os pais do menino João Roberto desabafaram no programa "Mais Você", da Rede Globo, nesta quinta-feira. "Quero justiça e melhorias da segurança. Eles (os PMs) não tiveram a coragem de mandar mimha família sair do carro. Eles são despreparados", disse o pai do menino, Paulo Roberto Barbosa Soares.

A mãe de João Roberto, Alessandra Soares, disse que não havia troca de tiros quando seu carro foi atingido. "Um carro passou a mil por hora. Depois ouvi uma sirene atrás de mim e eles me alvejaram", disse. A mãe disse que não aceita as desculpas das autoridades e afirmou que seu filho "não é uma estatística hororrosa".

Doação de órgãos

As córneas do menino foram doadas para duas crianças diferentes, informou a secretaria municipal de saúde na quarta-feira. Uma das beneficiadas foi Lariza Ludgero dos Santos, de 8 anos, que recebeu a córnea em um hospital particular em Piedade, subúrbio do Rio. Não houve rejeição e a cirugia foi considerada um sucesso. Ela passa bem.

A segunda córnea foi doada na tarde desta quinta (10) para Sueny Kellen Oliveira da Silva, de 13 anos, no Hospital dos Servidores do Estado (HSE). A cirurgia durou 1h30 e ela passa bem. Sueny tem catarata congênita causada por rubéola durante a gravidez de sua mãe. A córnea de João Roberto foi transplantada para o olho esquerdo da menina, que deve ter alta amanhã.

Manifestações de solidariedade

Funcionários do Tribunal Regional Federal do Rio realizam ato em homenagem ao garoto João Roberto, às 17h desta quinta, em frente ao tribunal, no Centro. Eles estarão vestidos com camisas pretas. Outra manifestação, também no Centro da cidade e organizada por taxistas da cooperativa Grajaú Service, colegas de profissão de Paulo Roberto Amorim Soares, pai do menino, ocorrerá durante a tarde. A carreata espera reunir motoristas de pelo menos 70 cooperativas de táxi do Rio.

Desabafo do pai

Na segunda-feira, o pai da criança, o taxista Paulo Roberto Amaral, de 45 anos, fez um desabafo emocionado na porta do hospital, onde o filho estava internado. Eu sou taxista e estava trabalhando no domingo para juntar um dinheirinho para o aniversário dele, que ia fazer quatro anos no dia 29.

AE
João Roberto tinha três anos
João Roberto tinha três anos
Eu estava com uma passageira, passando pela rua General Espírito Santo Cardoso (onde João foi baleado) quando ela notou que havia várias viaturas no local, mas eu nunca ia imaginar que iam executar a minha família. Metralharam o carro com uma mulher e duas crianças dentro. Minha mulher ficou cheia de pedaços de estilhaços pelo corpo, afirmou.

Segundo o taxista, Alessandra, sua mulher, voltava de uma festa infantil com os dois filhos do casal no carro. Além de João, estava no veículo o bebê Vinícius, de nove meses, que nada sofreu. Quando estava na esquina de casa, a mãe viu que um carro passou em alta velocidade e que ele estava sendo perseguido pela polícia. Ela encostou o carro para os policiais passarem, mas eles a teriam confundido com os bandidos.

"Mesmo atingida (por estilhaços), ela saiu do carro e jogou a bolsa do bebê para mostrar que tinha crianças. Isso foi a 200 metros da delegacia (19º DP)", contou o pai, muito abalado. O projétil que atingiu o menino na cabeça ficou alojado na quarta vértebra cervical. "Destruíram o cérebro do meu filho."

Baleado na cabeça

João foi baleado na cabeça durante uma perseguição de policiais do 19º BPM (Tijuca) a bandidos, na rua General Espírito Santo Cardoso, a poucos metros da delegacia do bairro. Eles seguiam criminosos que teriam assaltado pessoas momentos antes em ruas da localidade.

Testemunhas informaram que os policiais perseguiam um veículo Fiat Stilo preto, onde estariam os criminosos, mas acabaram atirando contra o veículo da mãe do garoto, um Palio Weekend cinza chumbo. Além de João, a advogada Alessandra Amorim estava com um bebê de nove meses, quando o carro foi atingido pelos disparos. Ela ficou ferida por estilhaços na barriga e na perna.

De acordo com testemunhas, a advogada chegou a jogar a mochila de um dos meninos pela janela, para mostrar aos policiais que os bandidos estavam em outro carro, mas há informações de que foram disparados pelo menos 15 tiros contra o carro que ela dirigia. As armas dos policiais que estavam na perseguição foram apreendidas para perícia.

Leia também:


Leia mais sobre:
violência no Rio

    Leia tudo sobre: joão roberto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG