BRASÍLIA ¿ O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou nesta quarta-feira que os responsáveis pela fuga do suspeito de integrar uma milícia na zona oeste do Rio, Ricardo Teixeira da Cruz, conhecido como Batman, não serão apenas exonerados, mas também responderão criminalmente. Batman fugiu do presídio de segurança máxima Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na terça-feira.

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"Ali, foi cometido um crime. Esses agentes penitenciários coniventes e demais policiais, até militares, coniventes com essa fuga, têm que responder criminalmente. Não basta apenas a exoneração deles e o afastamento do serviço público", disse o governador do Rio de Janeiro após uma reunião com o presidente Lula.

Cabral informou ainda que pediu o reforço da polícia especializada para ajudar nas buscas de Batman. "Nós fizemos um esforço gigantesco pra prendê-lo e não é possível que a conivência de alguns funcionários resulte na fuga dele. Nós não vamos tolerar isso. Temos as filmagens e vamos jogar pesado".

Questionado sobre a exoneração do ex-diretor de Bangu 8, Luiz Henrique Burgos, que estava há um mês no cargo, o governador afirmou que as investigações vão apontar se ele tem algum envolvimento real. O tenente-coronel da Polícia Militar, Reginaldo Alves de Pinho, assumiu o cargo.

Fuga

O ex-policial militar Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, fugiu do presídio de segurança máxima Bangu 8, na zona oeste do Rio, na última segunda-feira, às 7h30. A fuga só foi notada na manhã de ontem, 24 horas depois, durante a contagem dos presos.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), Batman saiu pela porta da frente do presídio escoltado por dois homens com uniformes do Grupo de Intervenções Táticas (GIT). O detento deixou Bangu 8 em um Palio branco para ser levado a um oftamologista no Hospital Central Penitenciário, também no Complexo de Gericinó.

A possibilidade de haver um plano de fuga já havia sido informada em, pelo menos, cinco relatórios de inteligência da Polícia Civil e do Serviço Reservado da Polícia Militar. De acordo com denúncias, a fuga teria custado cerca de R$ 2 milhões, que foram rateados entre os integrantes da milícia "Liga da Justiça", na qual Batman faz parte.

O ex-PM é tido como o principal matador do grupo armado, chefiado pelo vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho, e seu irmão, o deputado estadual Natalino Guimarães. Os dois também estão presos em Bangu 8.

Batman foi preso em agosto com outros comparsas, em Araruama, na Região dos Lagos do Rio, sob a acusação de ter praticado um atentado contra o sargento da PM Francisco César Silva Oliveira. O foragido responde a processos na Justiça por homicídio e formação de quadrilha.

CPI das Milícias

O presidente da CPI das Milícias na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Marcelo Freixo (PSol), cobrou das autoridades estaduais uma resposta para a fuga de Batman.

Na próxima sexta-feira, receberemos o secretário César Monteiro de Carvalho para uma audiência pública das Comissões de Segurança e de Direitos Humanos da Casa. O objetivo era cobrar explicações sobre o assassinato do ex-diretor de Bangu 3, mas certamente este assunto também será abordado, disse ele, referindo-se ao secretário de Administração Penitenciária.

"Solto, este homem oferece enorme risco a todos nós", acentuou Freixo.

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