Sem conseguir casar de papel passado com o PMDB em vários Estados, o PT deve aprovar amanhã no 4º Congresso do partido uma resolução dizendo que a vitória na eleição dependerá da capacidade de agregar forças políticas de centro. O documento sobre tática eleitoral e política de alianças não cita o PMDB, mas observa que, para o PT ter sucesso na tarefa de transformar as eleições em uma disputa de projetos antagônicos, é importante constituir a mais ampla frente de partidos aliados do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar de afirmar que o PT deve se esforçar para reproduzir nos Estados a frente de apoio à candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a cúpula petista admite um "acordo de procedimentos" na campanha para a montagem de dois palanques. O PT e o PMDB enfrentam dificuldades para acertar coligações em Minas Gerais, Bahia, Pará, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná. Há, ainda, parcerias tidas como impossíveis em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco.

O caso que mais preocupa o comando do PT é o de Minas, Estado que tem o segundo maior colégio eleitoral do País. Lá, o partido tem dois pré-candidatos (o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias), mas o PMDB não abre mão de lançar o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Nas últimas semanas, surgiu o fator Alencar. Para resolver o imbróglio, o vice-presidente José Alencar (PRB) pode entrar na corrida.

Comissão da Verdade

Depois de contornar a crise instalada no governo com a divulgação do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), o presidente Lula foi informado por auxiliares que há nova turbulência à vista. No documento que trata das diretrizes para o programa de governo da ministra Dilma, o PT propõe a "abertura dos arquivos e implementação da Comissão da Verdade, para esclarecimento público dos casos de torturas, assassinatos e desaparecimentos políticos no Brasil".

A comissão foi o ponto mais polêmico do decreto presidencial que instituiu o programa de direitos humanos. Proposta para analisar casos de tortura e execução sumária nos anos da ditadura (1964-1985), a comissão foi alvo de ataques por parte dos militares, que viram no texto o incentivo à revisão da Lei de Anistia.

Na tentativa de encerrar a crise, Lula editou novo decreto, em janeiro, retirando expressões que causaram a ira das Forças Armadas, como "repressão política". Além disso, o governo também resolveu "tornar público" o programa, em vez de aprová-lo. A estratégia foi planejada para dar publicidade ao texto, deixando de encampar trechos mais polêmicos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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