Resistência a mulheres nos partidos é maior que no eleitorado, diz secretaria

BRASÍLIA - A possibilidade de o presidente Lula apoiar o nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como candidata à presidência da República em 2010 pode estimular a indicação de outras mulheres ao cargo, vencendo um dos principais desafios das mulheres nas disputas eleitorais. Segundo a gerente de projetos da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM), Elizabeth Saar, a maior dificuldade das mulheres não é conseguir votos, mas vencer resistências dentro dos partidos.

Sarah Barros, Último Segundo/Santafé Idéias |

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"É mais difícil para Dilma conseguir a adesão do partido, do que do eleitorado", avalia Elizabeth, levando em conta o baixo número de mulheres lançadas por seus partidos a cargos eletivos, em todas as esferas de poder. "Dentro dos partidos, o fato de ser mulher influencia [na indicação do candidato]. Mas, na população, se a mulher tiver financiamento, apoio do partido e propostas, acho que ser mulher não restringe", disse em chat promovido na manhã desta quarta-feira, pelo Portal iG em parceria com a Santafé Idéias. Ela acompanha o eixo "Participação das mulheres nos espaços de poder e decisão" do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres.

De acordo com dados divulgados por meio do site www.maismulheresnopoderbrasil.com.br , desenvolvido pela SPM em conjunto com o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e o Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos, apesar da lei de cotas, que prevê a indicação de mulheres em 30% das candidaturas, neste ano, não se conseguiu preencher além dos 20%. "Nas primeiras eleições, logo após a lei criada em 1997, houve um aumento na participação de mulheres, mas não tem sanção aos partidos que descumpram a lei", argumenta. Para Elizabeth, uma das sanções poderia ser o impedimento da inscrição das chapas nas eleições.

A indicação de que as mulheres atraem número expressivo de votos está em exemplos passados. Segundo Elizabeth, boa parte das mulheres que chegaram ao Congresso Nacional nas últimas eleições foi campeã de voto em seus estados. Ela citou ainda exemplo de mulheres com chances de chegar às prefeituras em 2008. Em quatro capitais, representando quatro das cinco regiões brasileiras, há mulheres com chance de vitória. "Em Porto Alegre (RS), por exemplo, duas candidatas têm reais possibilidades de vitória, além de ser um estado governado por uma mulher", frisou Elizabeth. Na capital gaúcha, 4 dos oito candidatos são mulheres.

O exemplo pode, portanto, estimular a participação de mulheres na política. "Acho que à medida que as mulheres vão se elegendo e mostrando que são capazes, faz com que outras mulheres se candidatem e o eleitor confie em votar nas mulheres", disse. Apenas no Centro-Oeste não há candidatas com chances visíveis de vitória nas capitais.

Elizabeth enfatiza, porém, que o voto em mulheres não é certeza de melhoramento nas relações políticas. Para isso, ainda seria indispensável o envolvimento da sociedade e o controle público sobre as atividades das eleitas. "A participação da mulher na política não garante a excelência. Isso quem vai garantir é o controle por parte da sociedade, ou seja, o acompanhamento e monitoramento das candidatas eleitas", disse.

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