SÃO PAULO - Medicamentos que transformaram o mundo desde que foram criados, revolucionando o tratamento de infecções e fazendo que doenças fatais virassem problemas de saúde controláveis, os antibióticos enfrentam atualmente uma séria ameaça.

O uso indiscriminado, a automedicação, as prescrições incorretas e o declínio nas pesquisas de novos produtos estão levando a uma crescente resistência bacteriana. Sem ações que revertam esse cenário, segundo especialistas, o risco é que o homem volte a viver num mundo pré-antibióticos.

Esse risco, além de transformar pneumonia, tuberculose ou infecções urinárias em doenças sem tratamento, provocaria um retrocesso em transplantes de órgãos, cirurgias de grande porte e até mesmo sessões de quimioterapia.Isso porque na base de todos esses avanços da medicina está o uso dos antibióticos para controlar processos infecciosos.

Estamos enfrentando não apenas uma epidemia, mas uma pandemia de resistência aos antibióticos, afirma Otto Cars, professor da Universidade de Uppsala, Suécia, e membro da ReAct, rede internacional de pesquisadores e centros médicos voltada para o combate ao problema.

Indivíduos precisam estar cientes de que sua escolha de usar um medicamento desse tipo afeta a possibilidade de tratamento de infecções em outras pessoas, completa.

A explicação está no fato de que, mesmo com o uso adequado, a cada vez que um antibiótico é ingerido, sua eficácia diminui - e com o uso prolongado ou recorrente, indivíduos se tornam portadores de bactérias mais resistentes.

Para tentar lidar com essa situação, médicos já estão ressuscitando para uso hospitalar substâncias que tinham sido aposentadas, uma vez que os antibióticos novos não estão mais surtindo efeito em alguns casos.

Cars cita estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que mostra que em países de baixa e média renda a resistência aos antibióticos de primeira linha fez com que 70% das infecções neonatais não pudessem ser tratadas segundo o protocolo definido pela OMS.

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