Representantes de entidades médicas justificam paralisação

Médicos de planos de saúde pretendem cruzar os braços por 24 horas para reivindicar reajuste dos honorários pagos pelas operadoras

AE |

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Representantes das três entidades médicas federais falaram nesta terça-feira sobre a mobilização da categoria, que prevê uma paralisação no atendimento aos planos de saúde na próxima quinta-feira. Segundo o diretor de saúde pública da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso, o movimento pretende colocar às claras a difícil relação entre médicos e planos de saúde e "visa a proteger a população vinculada à saúde suplementar."

De acordo com Florisval Meinão, 1.º tesoureiro da AMB, os reajustes de honorários dados aos médicos nos últimos dez anos estão abaixo dos índices da inflação, não possuem critérios e, apesar de terem ocorrido várias reuniões com as operadoras, nenhuma proposta concreta foi alcançada. "Estamos fazendo um movimento de alerta à população, para que conheça os bastidores do nosso trabalho, e às operadoras, para que nos respeitem. Queremos que os contratos sejam revistos e que comecem a vigorar os critérios de reajuste periódico, conforme a Resolução número 71 da ANS", disse Meinão.

O secretário de Saúde Suplementar da Federação Nacional de Médicos (Fenam), Márcio Bichara, afirmou que o movimento não é só reivindicatório, mas também tem preocupação com a qualidade de atendimento prestado aos pacientes. "Não pleiteamos nada além de uma relação honesta com os planos de saúde, de modo a não prejudicar o atendimento oferecido aos nossos pacientes."

O 2.º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Aloísio Tibiriçá, comentou as interferências que as operadoras de planos de saúde fazem no trabalho do médico, como recusas em cobrir procedimentos que os usuários têm direito. "É uma intervenção direta e antiética no nosso trabalho."

Eleuses Paiva, ex-presidente da AMB e atualmente vice-presidente da Frente Parlamentar da Saúde da Câmara, anunciou que convocará nesta quarta-feira uma audiência pública com todos os representantes do setor da saúde suplementar para avaliar a situação. "Uma vez que está sendo deflagrado um movimento nacional, o Congresso passa a ter preocupação com o desequilíbrio econômico e com a quebra de autonomia que tem recaído sobre os médicos."

Os representantes das entidades médicas destacaram que esperam ações mais incisivas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na revisão dos contratos e na instituição de regras que regulamentem a relação entre os médicos e as operadoras. O movimento busca os reajustes dos honorários médicos, a regularização dos contratos conforme a Resolução ANS número 71/2004 e a aprovação de projeto de lei que contemple a relação entre médicos e planos de saúde.

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