Repleto de arte e história, Cemitério da Consolação é destino turístico em São Paulo

SÃO PAULO ¿ Recoleta, Père-Lachaise, as pirâmides do Egito. Mais do que famosos pontos turísticos de Buenos Aires ou Paris, são, ao mesmo tempo e em primeiro lugar, aquilo para o que foram criados: cemitérios. A ideia de que é lúgubre ou de mau gosto visitar esses locais sagrados há tempos caiu em desuso e é unânime a teoria de que são museus a céu aberto, tanto que prefeituras e órgãos públicos de todo o mundo promovem excursões e repassam incentivos. Em São Paulo, não é diferente: o Cemitério da Consolação oferece visitas guiadas para que o público possa viajar em poucos metros pela história da cidade e conhecer aspectos curiosos do passado.

Redação |

Famosa obra de Victor Brecheret no Cemitério da Consolação / Ricardo Sanchez

Os cemitérios foram criados no Brasil somente após a Independência, já que até aquela época os corpos eram enterrados nas igrejas ¿ a proximidade com os santos, acreditava-se, facilitaria a entrada das almas no paraíso. A aristocracia brasileira, principalmente durante o Segundo Reinado, começou a adornar seus túmulos com estátuas para demonstrar sua superioridade, seguindo o modelo europeu.

Na capital paulista, esse fenômeno começou a partir do Ciclo do Café, graças à imensa expansão econômica e populacional que a cidade viveu. Diversas famílias, principalmente imigrantes, enriqueceram da noite para o dia. Como não tinham muitos meios de expor sua nova condição, quando algum parente morria optavam pela construção de grandes monumentos funerários. Apesar do catolicismo pregar a igualdade social dos mortos, a ostentação dos túmulos confirmava exatamente o contrário.

Por isso, os cemitérios servem como uma espécie de radiografia dos diversos períodos de uma sociedade. A distribuição dos jazigos, as obras de arte, a arquitetura, o local das capelas mortuárias ¿ tudo tem sua razão de ser, dentro da lógica da época em que aconteceu.

Dor e arte na Consolação / Ricardo Sanchez

Patrimônio de São Paulo

Oficialmente aberto em 15 de agosto de 1858, o Cemitério da Consolação se destaca nacionalmente no campo da arte cemiterial. Inaugurado às pressas devido a uma epidemia de varíola que varreu a cidade, recebia pessoas de todas as classes sociais. Décadas depois, passou a abrigar apenas membros da elite, cujas famílias podiam pagar os altos preços dos lotes.

A barreira econômica fez com que proliferassem túmulos suntuosos, concebidos por artistas como Victor Brecheret, Bruno Giorgi, Celso Antônio de Menezes e Rodolfo Bernardelli, todos escultores de renome na arte brasileira.

Como se as obras por si só já não bastassem, o passeio também permite conhecer o local onde estão enterradas diversas personalidades nacionais, como Mario e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral ¿ trio expoente do modernismo ¿, Monteiro Lobato, os ex-presidentes Campos Sales e Washington Luís, o ex-governador paulista Ademar de Barros e a Marquesa de Santos, entre muitos outros, facilmente localizáveis nos guias distribuídos aos visitantes.

A visita monitorada faz parte do projeto "Arte Tumular", idealizado pelo Serviço Funerário da prefeitura, graças às pesquisas realizadas pelo historiador Délio Freire dos Santos. Grupos a partir de quatro pessoas podem marcar visitas guiadas pelo cemitério, que geralmente ocorrem de segunda a sexta-feira, às 10h ou 14h. O telefone para agendamento é (11) 3396-3815 ou 3396-3833.

Leia mais sobre: turismo cemiterial

    Leia tudo sobre: arteturismo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG