Tamanho do texto

RIO DE JANEIRO - O rendimento médio do trabalhador brasileiro aumentou em 2007 pelo terceiro ano, com alta de 3,2% frente a 2006, mas ainda não recuperou as perdas acumuladas nos últimos dez anos e está 5% abaixo do nível de 1997. http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/arquivos/cdocuments_and_settingscsouzameus_documentospnad.pdf target=_topVeja todos os dados e tabelas da Pnad http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/09/18/analfabetismo_cai_e_renda_aumenta_em_2007_no_brasil_diz_ibge_1880980.html target=_topVeja os principais dados da Pnad referentes a 2007 Fala, internauta! O que você acha dos dados apresentados pelo IBGE? Comente no boxe abaixo

Divulgação
Brasileiros fazem compra em supermercado
Brasileiros fazem compra em supermercado
Os dados constam da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (Pnad), divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira.

O avanço de 3,2% foi menor que o observado em 2006 (de 7,5% ante 2005) e em 2005 (de 4,5% frente a 2004). 'Isso pode estar relacionado com o aumento menor do salário mínimo em 2007', explicou a economista do IBGE Márcia Quinstlr.

Segundo o IBGE, desde 2004 a renda do trabalhador brasileiro ocupado acumula crescimento de 15,6%. Em 2007, o rendimento nominal alcançou R$ 956 - valor ainda abaixo do verificado em 1997, que era de R$ 1.011.

'Os resultados da Pnad mostram que o patamar de rendimento médio real de 1997 ainda não foi retornado, embora tenha ocorrido ganho, especialmente entre 2004 e 2007', informou o IBGE em relatório.

A alta do rendimento contribuiu para que o país registrasse em 2007 mais um pequeno avanço no índice de Gini, parâmetro internacional para avaliar as condições de vida da população. O indicador passou de 0,540 em 2006 para 0,528 em 2007. Quanto mais próximo de zero, melhor é a condição de vida de um cidadão. Em 2004, o Gini era de 0,547 e em 2005, de 0,543.

Apesar da melhora, a concentração de renda no país permaneceu bastante aguda no ano passado, segundo a pesquisa. 'Os avanços mencionados, apesar de persistentes, são de baixo impacto no que se refere aos rendimentos mais baixos e mais elevados', avaliou o documento.

'A despeito da redução do Gini, se verificou que, em 2007, os 10% da população ocupada com mais baixos rendimentos detiveram 1,1 por cento dos rendimentos do trabalho, enquanto aos 10% com os maiores rendimentos corresponderam 43,2% do total das remunerações', acrescentou o relatório. Esse comportamento se mostrou praticamente inalterado em relação aos anos anteriores.

O IBGE mostrou ainda melhora na escolarização, no acesso a serviços públicos e na aquisição de bens duráveis de 2006 para 2007.

A taxa de analfabetismo de um ano para o outro caiu de 10,4 para 9,9% da população, mas 14,1 milhões de brasileiros não sabiam ler e escrever no ano passado. De acordo com o IBGE, em 1992 esse percentual atingia 17,2% da população.

População ocupada

A Pnad revelou progressões no mercado de trabalho em 2007.

Reprodução
Homem trabalha em indústria
Homem trabalha em indústria

O total de ocupados no ano passado cresceu 1,6% ante 2006 e ficou em 90,8 milhões de pessoas. Além disso, o número de desocupados caiu 1,8%, o equivalente a 8,1 milhões de pessoas ante 8,2 milhões em 2006.

A população ocupada aumentou 4,6% na indústria e na construção civil; 3,6% no comércio e 1,9% no setor de serviços.

O emprego com carteira bateu recorde ao avançar 6,1% em relação a 2006 sendo que no Nordeste a formalização avançou 8,5%.

O emprego com carteira de trabalho atingiu 35,3% da população ocupada depois de ficar em 33,8% em 2006 e 33,1% em 2005.

O emprego sem carteira encolheu 0,7% em 2007 e o trabalho por conta própria subiu 1,5% frente a 2006.

O trabalho infantil no Brasil também diminuiu entre 2006 e 2007, ao passar de 5,1 milhões para 4,8 milhões de brasileiros com idade entre 5 e 17 anos.

Sindicalização e previdência

Com mais pessoas trabalhando com carteira assinada, o número de contribuintes da Previdência Social bateu recorde em 2007. Pela primeira vez, o total de contribuintes superou mais da metade das pessoas ocupadas.

Segundo o IBGE, o número de contribuintes ficou em 51,1% da população ocupada em 2007, percentual que já foi de 42,6% em 1992.

A Pnad apontou que no ano passado 46,1 milhões de brasileiros contribuíam para a Previdência Social, 5,7% a mais que em 2006.

'O avanço do trabalho com carteira e da contribuição para a Previdência representam ganhos e garantias importantes para os trabalhadores embora o número de pessoas sem assistência ainda seja relevante', afirmou o economista do IBGE Cimar Azeredo Pereira.

Em 2007, a sindicalização perdeu força no Brasil, com queda de 3,3% frente a 2006. No ano passado, eram 16 milhões de sindicalizados ou 17,7% da população ocupada.

Ao longo de dez anos, o total de trabalhadores ligados a sindicatos subiu de 16,2% da população ocupada, para 17,7%.

Veja mais dados do Pnad:

Leia mais sobre: Pnad

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.