Rendimento da população brasileira tem a menor alta em três anos, aponta Pnad

O rendimento médio real dos trabalhadores registrou, em 2008, o menor aumento mensal dos últimos três anos. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira, embora o rendimento médio tenha sido estimado em R$ 1.036 - 1,7% superior ao apurado em 2007 -, o ritmo de crescimento diminuiu. De 2005 para 2006, houve variação de 7,2% e, de 2006 para 2007, cresceu 3,1%.

Redação |

Para a economista da Rosenberg & Associados, Thais Marzola, o resultado é atribuído à alta da inflação. Até setembro de 2007, a inflação acumulada era de 4,2%. Em 2008, foi 6,25%. Parte dessa perda de ganho real se deve à inflação um pouco mais alta que a gente teve no período.

Thais destaca, ainda, que a tendência é de um resultado melhor em 2009. Agora em 2009 o efeito deve ser contrário, já que a inflação caiu, completa. 

Em termos regionais, o maior aumento no rendimento médio real do trabalho, de 2007 para 2008, foi registrado no Nordeste (5,4%) e Centro-Oeste (3,2%). A região Norte foi a única que não apresentou variação significativa.

Concentração de renda

iG

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordena ção de Trabalho e Rendimento,  Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007-2008.

Constatou-se ainda que a concentração de renda teve leve queda no País em 2008. No entanto, o Brasil ainda tem um abismo gigante entre os mais pobres e os mais ricos e 10% das pessoas com os maiores rendimentos concentram 42,7% do total das remunerações.

A economista da Rosenberg & Associados acredita que esse resultado é fruto da desqualificação profissional de grande parte da população. Teria de investir um pouco mais em educação. Com uma qualificação melhor, a mão-de-obra como um todo melhora e essa diferença seria reduzida. 

Na outra ponta, a pesquisa mostra que 10% da população está com os menores salários, que detêm apenas 1,2% dos rendimentos do trabalho.

Porém, esse quadro, conforme o IBGE, já dá pequenos sinais de mudança. Isso porque o rendimento para os 10% da população com salários mais baixos subiu 4,3%, enquanto para os 10% mais ricos o crescimento foi de 0,3%. 

Segundo o IBGE, não houve mudança significativa nos rendimentos dos 10% mais pobres, porém houve queda dos mais ricos nas regiões Norte (de 41,0% para 39,3%), Sudeste (de 41,6% para 41,0%) e Sul (de 40,3% para 39,8%). Na região Centro-Oeste, não houve alteração e a Nordeste foi a única região onde os 10% mais ricos concentraram ainda mais os rendimentos, de 45,9% para 46,1%. 

Por categoria

A pesquisa mostra que a disparidade entre os gêneros se manteve em 2008 e o rendimento médio das mulheres chegou apenas a 71,6% dos homens, ou seja, o salário médio delas é de R$ 839 contra R$ 1.172 deles.

Esta ultima pesquisa mostrou que os militares e funcionários públicos estatutários possuem a maior remuneração média, de R$ 1.759, e obtiveram um ganho de 0,4% em relação a 2007. 

O grupo que conseguiu o maior ganho real (2,7%) foi exatamente aquele que recebe menos, que são os trabalhadores sem carteira assinada, cujo salário médio é de R$ 604. As pessoas com carteira de trabalho assinada tiveram acréscimo médio de 1,3%, passando a R$ 1.034. 

Thais Marzola aponta os altos encargos trabalhistas como fator dominante para o resultado. Como temos encargos trabalhistas de mais de 100% do salário, quando há algum ganho, é repassado menos para o empregado formal, porque a empresa acaba recolhendo mais encargos. 

A pesquisa aponta uma diferença grande entre os trabalhadores domésticos que possuem ou não carteira de trabalho assinada. Os primeiros registraram ganho real de 2,1%, passando a receber, em média, R$ 523. Já os segundos, tiveram aumento de 2,7%, e o salário passou para R$ 300.

Por domicílio

Em 2008, o rendimento médio mensal real dos domicílios foi de R$ 1.968, um ganho de 2,8% em relação ao ano anterior. A região Centro-Oeste foi a que teve o maior aumento (5,5%), e se destacou como a melhor do Brasil, com rendimento domiciliar médio de R$ 2.352. No final da lista, a região Nordeste, que apesar de ter registrado aumento de 4,2% em 2008, é onde há a menor renda por domicílio, R$ 1.299.

A diarista Dilma Oliveira, moradora de Parelheiros, na capital paulista, tem renda mensal de R$ 730. Já seu marido, que é vendedor autônomo de aparelhos de ginástica, ganha R$ 1200.

Com a renda, o casal sustenta três filhos e um cachorro. Na casa, mora também o cunhado de Dilma, soldador, que recebe R$ 150 por semana. Tem semana que a gente não recebe porque não somos registrados, lamenta a diarista.

Veja os principais dados da Pnad 2008:

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