Renascer entrega plano de demolição ao Ministério Público

SÃO PAULO - O advogado da Igreja Renascer, Roberto Ribeiro Junior,entregou nesta quarta-feira, na sede do Ministério Público, o plano de demolição do templo da Avenida Lins de Vasconcelos, no bairro do Cambuci, que foi parcialmente destruído no último domingo. A empresa contratada pela Renascer para realizar o trabalho é a Diez Demolidora. A demolição está prevista para acontecer na sexta-feira.

Redação |

A promotora Mabel disse que ainda é necessária a aprovação da Secretaria de Habitação, da Polícia Civil e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), devido ao transporte de um guindaste da cidade vindo de Mauá e e também por causa da interdição das vias próximas ao templo.

Segundo a promotora de Justiça Mabel Tucunduva, da Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público Estadual, para que a demolição ocorra deve haver também a autorização da Secretaria do Meio Ambiente, devido ao suposto risco trazido pelas telhas de amianto. Mabel disse que, se no momento da demolição as telhas representarem riscos, por causa de seu pó cancerígeno, o procedimento será interrompido.

O advogado da Igreja Renascer chegou às 15h20 desta quarta-feira à sede do Ministério Público, no centro da cidade, com 20 minutos de atraso para entregar ao MP o plano de demolição. Ele estava acompanhada de um representante da Diez Demolidora.

Os dois estão reunidos com o Subprefeito da Sé, Amauri Luis Pastorelo, e a a promotora de Justiça Mabel Tucunduva.

Segundo o Pastorelo, a demolição tem que "preservar as evidências do desabamento" e, por isso, não pode ser realizada por qualquer empresa. "As paredes do local são altas, tem que ter um trabalho técnico. Tem que ser realizado por uma empresa idônea e com equipamento disponível. Não é só colocar dois pedreiros para derrubar", afirmou.

O subprefeito disse também que os trabalhos devem ser realizados com urgência para que os peritos do Instituto de Criminalística possam retomar as análises no local. Ele, porém, afirmou que não há um prazo certo para que o trabalho da demolidora seja finalizado. "Para nós seria melhor que começasse ontem, mas não é uma coisa que acontece de um dia para o outro", disse.

Até agora, três dias depois do acidente, peritos do Instituto de Criminalística (IC) ainda não puderam inspecionar os destroços e nem recolher fragmentos da estrutura de sustentação do telhado porque há risco de novos desabamentos.

Reforma no telhado

Na terça-feira, o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea-SP), José Tadeu da Silva, confirmou que a empresa Etersul, contratada para realizar a reforma do teto na igreja Renascer, em 2008, não possui registro no Crea. Segundo ele, toda empresa de manutenção e reforma deve ter um engenheiro habilitado pelo órgão.

Como a Etersul não tinha, a responsabilidade é do contratante. Eles não podem ignorar a existência da lei que obriga a contratar um profissional habilitado, afirmou Silva.

O advogado da Renascer disse que, durante a assinatura do contrato, a Etersul se comprometeu a se registrar no Crea. "Estava tudo contratado, a igreja tomou todas as cautelas", afirmou.

O acidente

O teto da Igreja Renascer do Cambuci desabou por volta das 18h50 de domingo e atingiu fiéis que chegavam para assistir ao culto das 19h. Nove pessoas morreram e pelo menos 110 ficaram feridas, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública. Segundo informações dos bombeiros, cerca de 600 pessoas estavam no local, que tem capacidade para abrigar 2 mil. Foi neste templo que, em dezembro de 2005, o meia-atacante do Milan, Kaká, casou-se.


*Com colaboração de Lecticia Maggi e Livia Campos, do Último Segundo e informações da Agência Estado

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