Renan e Tasso trocam acusações e ofensas no Senado

BRASÍLIA - O plenário do Senado Federal virou palco, nesta quinta-feira, de troca de acusações entre os parlamentares. O senador Renan Calheiros (PMDB-Al) leu a representação do partido contra o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). Após a leitura, Renan e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) perderam a compostura e trocaram fortes acusações.

Camila Campanerut, repórter em Brasília |

Agência Senado
Tasso na disputa com Renan
A discussão começou quando o senador Tasso pediu ao presidente, José Sarney (PMDB-AP), que concedesse o mesmo tempo para que Arthur Virgílio pudesse se defender do que foi acusado.

Nesse momento, um homem da tribuna passou a fazer declarações de apoio a Renan. Tasso pediu a Sarney que o intruso fosse retirado. Renan, por sua vez, passou a defender a permanência do manifestante e, enquanto falava, apontava um dedo para o senador cearense. Aí começou o bate-boca:

- Tasso Jereissati: "Não aponte esse dedo sujo para cima de mim."
- Renan Calheiros: "Dedo sujo é o do senhor, que paga jatinho com dinheiro do Senado"
- Tasso: "O dinheiro é meu, o jatinho é meu. Não é igual ao que você anda, com seus empreiteiros. Coronel, cangaceiro de terceira categoria!"

Agência Brasil
- Renan, fora do microfone, fala uma frase, que, segundo alguns senadores, foi: "Coronel de m...!"
- Tasso grita: "Me respeite!"
- Renan também: "Me respeite!'

E Renan apontou para Tasso e afirmou: "Você é minoria com complexo de maioria." Então Tasso se dirigiu ao presidente Sarney e afirmou que Renan estava lhe dirigindo palavras de baixo calão e pediu que seja feita representação contra ele por falta de decoro.

A gritaria de ambos se misturou à campainha do plenário e o presidente pediu um intervalo de 2 minutos. Ao som, novamente da campainha, a sessão reiniciou com a defesa de Virgílio. Enquanto isso, Tasso e Renan se acalmavam em suas cadeiras, ouvindo a defesa do tucano.

Após a discussão, o senador tucano Mário Couto (PA) pediu à Mesa a transcrição das notas taquigráficas desta sessão. Com os detalhes em mãos do bate-boca, os parlamentares podem enviar denúncias um contra o outro, por quebra de decoro. Assista ao video da discussão:

Defesa de Virgílio

Antes da leitura da representação contra Virgílio por Renan, o senador tucano fez em plenário a sua defesa. O líder do PSDB começou sua defesa alegando que o arquivamento das três denúncias contra José Sarney foi sumária. As três acusações foram feitas por ele no Conselho de Ética e arquivadas na reunião desta quarta-feira. 

Virgílio se manifestou inconformado com a fala do presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque, que afirmou à imprensa que, na representação contra ele, encontrava consistência. Duque ainda afirmou que o prazo para decidir se arquiva ou não essa ação é até a próxima quarta-feira.

O tucano reafirmou que estava pronto para o julgamento dele pelos pares. Eu confio muito na comissão de ética da Casa, muito mais no plenário. Uma instituição de 183 anos saberá encontrar o melhor caminho para o desfecho da crise, diz. Virgílio ainda afirmou que agirá em represália e fará concessões para se manter no cargo. 

Representação

Agência Senado
Renan discute com Tasso Jereisati
Na noite de quarta-feira, o PMDB entrou com uma representação no Conselho de Ética contra o tucano para investigar a acusação de que Virgílio mantinha em seu gabinete quatro pessoas da mesma família, sendo que um dos funcionários recebia normalmente, mas morava na Espanha.

O tucano já havia confirmado o erro e negociou com a diretoria da Casa o ressarcimento do dinheiro pago, R$ 210 mil, em quatro parcelas.

O peemedebista sugere que o tucano se afaste do cargo devido à gravidade das ações que cometeu. Renan se disse constrangido de fazer isso, mas o chama de dever funcional, como líder do partido, que entrou com representação contra ele.

"A Ética não tem dono. Ética não é retórica. É prática", acusou Renan, que já foi julgado duas vezes no Senado, quando era presidente da Casa.

Documento pelo afastamento de Sarney

Em discurso no plenário, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) fez o que prometeu: leu o ato que reuniu assinaturas de parlamentares do DEM, PMDB, PSB, PSDB, PSol e PT contra o senador José Sarney (PMDB-AP). 

A oposição baixou o tom e em vez da renúncia pediu o afastamento do presidente do Senado. Isso não é um manifesto. É uma carta com dois parágrafos, resumiu Buarque, um dos organizadores do movimento.

Consideramos e a reafirmamos que para iniciar a recuperação da dignidade do Senado é preciso a apuração com credibilidade de todas as denúncias. O primeiro passo para isto é o afastamento de Vossa Excelência, pede a carta. 

O documento conta com o apoio de 39 senadores, incluindo senadores petistas como Flávio Arns (PR) e Tião Viana (AC).

Cristovam ainda reforçou que a decisão pela saída do cargo é exclusiva de Sarney. Ao final do discurso, o presidente da Casa agradeceu ao parlamentar pela isenção e zelo" por sua biografia.

(com informações da Agência Estado)

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