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Religiosos ameaçados de morte dizem que há consórcio do crime no Pará

BRASÍLIA - Em audiência pública na Comissão de Amazônia, na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, três bispos e um padre da Igreja Católica ameaçados de morte no Pará disseram que existe ¿um consórcio do crime¿ no Estado que paga valores elevados pela morte de pessoas que denunciam violações de direitos humanos, grilagem de terra, prostituição e desmatamento, entre outros crimes.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |


Os quatro depoentes estariam em uma lista de trezentos nomes marcados para morrer. Um deles é o bispo de Abaetetuba (PA), Dom Flávio Giovenale, que denunciou o caso da menina presa no ano passado com homens em uma delegacia da cidade.

Já Dom Erwin Kräutler, bispo de Xingu, que trabalhou com Dorothy Stang, assassinada em 2005, é obrigado a andar desde 2006 com seis policias devido às ameaças constantes de morte. Ele recebe ameaças de morte por carta, internet e telefonema. "O terrorismo psicológico ficou mais forte depois de assassinato de Dorothy", conta. Hoje acontece o julgamento de um dos acusados pela execução da religiosa.
"Quem toma posição a favor dos excluídos na Amazônia (mulheres, crianças, índios, ribeirinhos e trabalhadores rurais) se torna automaticamente inimigos de fazendeiros, madeireiros, latifundiários, mineradoras e garimpeiros. Gente que quer enriquecer da noite para o dia", destaca o bispo de Xingu. Na sua avaliação, o governo não tem conseguido resolver problemas como o tráfico de pessoas.

O ex-superintende da Polícia Federal em Roraima e atual secretário de segurança do estado, Cláudio Lima de Souza, que acompanha a audiência pública, confirmou a existência de um corredor para o tráfico de pessoas na Amazônia, mas que não há dados, pois não são feitos boletins de ocorrência destes casos. Também nunca soube de registros de ameaça contra religiosos, pontuou.

Raposa Serra do Sol

Dom Erwin também criticou a atuação do governo quanto à retirada de não índios na terra indígena Raposa Serra do Sol. "Se é uma área indígena e foi homologada, como seis arrozeiros fazem beicinho e dizem "daqui eu não saio?", questiona. Para ele, falta vontade política para resolver o problema. "Tem que cumprir a lei. Se não sair por bem, tem que cumprir [a lei] à força", defendeu.

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