Relembre a trajetória do fenômeno Susan Boyle

SÃO PAULO ¿ É hoje o grande dia. A final do programa Britains Got Talent, na tarde deste sábado (30), pode coroar a trajetória de uma cantora que ganhou a simpatia de fãs no mundo inteiro e fez brilhar os olhos dos românticos de plantão, aqueles que acreditam que nunca é tarde para sonhar. A escocesa Susan Boyle, 48 anos, gordinha e desajeitada, mas com uma voz capaz de estremecer até os mais insensíveis, vai subir ao palco hoje como um dos maiores fenômenos recentes da Internet.

Marco Tomazzoni |

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Nasce uma estrela: Susan Boyle se apresenta pela primeira vez no "Britain's Got Talent"

Desde que ela se apresentou pela primeira vez na televisão, no dia 11 de abril, sua performance de "I Dreamed a Dream", do musical "Les Miserables", já foi vista mais de 220 milhões de vezes, segundo a empresa especializada Visible Measures. A redenção da cantora, após o deboche dos jurados e da plateia, tem arrancado lágrimas alheias desde então e deixou celebridades como Demi Moore, Kelly Clarkson e Ashton Kutcher com o coração na mão.

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A pequena Susan com 7 anos, ao piano

O clipe foi o estopim de uma bola de neve midiática, que não dá sinais de derreter tão cedo. No último domingo, quando Boyle retornou ao programa, metade da audiência de televisão do Reino Unido, ou seja, cerca de 13,6 milhões de espectadores, estava ligada no "Britain's Got Talent", maior audiência da história do programa da rede ITV1. Até agora, a interpretação daquela noite ¿ "Memory", do musical "Cats" ¿ já acumula 17 milhões de visualizações e é o vídeo mais visto nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Brasil e em praticamente todos os países com registro no YouTube.

Ainda é um pouco cedo para avaliar a extensão e o impacto comercial de tudo isso, mas diversos comentaristas afirmam que a cantora representa uma espécie de parábola moderna, usada para falar da tendência de se julgar os outros apenas pela aparência. Nesse sentido, um site de fãs dedicado a ela tem o sugestivo nome de "Nunca julgue um livro pela capa". O próprio jurado Simon Cowell pediu desculpas no ar por tê-la subestimado. Por isso, o encanto de Susan Boyle reside no fato de ela ser a prova viva de que pode haver finais felizes na novela da vida real, apesar de tudo até então na trajetória desta mulher de meia-idade indicar o contrário.

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Susan (dir) com as irmãs, em Blackburn

Nascida em 1º de abril de 1961 na pequena cidade de Blackburn, a 30km de Edimburgo, Boyle é a caçula de nove irmãos. Ela teve uma complicada chegada ao mundo ¿ sua mãe tinha 47 anos e o bebê foi privado de oxigênio durante o parto. Como resultado, a pequena Susan teve dificuldades de aprendizado. O visual desengonçado e os problemas na escola lhe renderam o apelido de "Simple Susan", que, embora signifique "Susan Simples", pejorativamente traz embutida uma conotação de retardo mental. Mesmo assim, desde os 12 anos participava do coral da igreja local e se apresentava em peças do colégio.

À medida que o tempo passava, os irmãos foram deixando a cidade e coube a Susan cuidar dos pais. Desempregada, se limitava a trabalhar em projetos sociais, manter a casa arrumada e cuidar do gato Pebbles. Nunca se casou e, como confessou ao vivo em rede nacional, nunca foi beijada. "Meus pais não queriam que eu arranjasse namorados, então nunca tive um encontro. Acho que aceitei que isso nunca ia acontecer", declarou ao Daily Mail.

A carreira de Boyle nunca esboçou qualquer aptidão ao estrelato. Apesar de ter recebido aulas de canto e frequentado a Edinburgh Acting School, na prática Susan se limitava a fazer algumas apresentações em bares locais e se divertir em caraoquês. Em 1999, gravou uma música para um projeto beneficente e em seguida usou todas suas economias em uma fita demo, enviada, sem sucesso, a gravadoras e emissoras de rádio. Também fez uma breve participação no programa de talentos "My Kind of People", mas tudo que conseguiu foi ser ridicularizada pelo apresentador.

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"Meus pais não queriam que eu arranjasse
namorados, então nunca tive um encontro"

Em 2007, a mãe de Susan morreu, aos 91 anos, e deixou a filha à beira da depressão. Triste, ela não conseguia cantar nem saía de casa. Até que percebeu que se mostrar ao mundo era a maior homenagem que poderia fazer à mãe, sua maior fã. "Percebi que queria deixar minha mãe orgulhosa de mim e o único jeito era arriscar e me inscrever no programa." Para ficar em forma, praticou em casa, no quarto, uma hora por dia, algumas semanas antes da apresentação. O resto é história.

O repertório de Boyle parece seguir à risca os passos de Elaine Paige, grande dama dos palcos britânicos, de quem é grande fã. Paige representou em dezenas de espetáculos no West End e na Broadway, entre eles "Evita", "Hair", "O Rei e Eu" e "Cats", justamente o musical do qual Susan escolheu uma canção, "Memory", para fazer sua segunda apresentação na TV.

Mas a pressão de ser o foco das atenções ¿ ela já deu entrevistas nos programas de Larry King, Oprah Winfrey e no "Good Morning, America", tradicionais atrações da TV norte-americana ¿ já dá sinais. No último domingo, Susan começou sua apresentação nervosa, desafinando, mas conseguiu se controlar a tempo. Nesta semana, a produção do próprio "Britain's Got Talent" tratou de jogar lenha na fogueira: um dos jurados afirmou à imprensa que Susan estava tão angustiada com a perseguição da mídia que havia feito as malas e ameaçado abandonar o programa.

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Susan Boyle, na programa do último domingo

"Deus sabe o que a pobre Susan está sentindo", escreveu o jurado Piers Morgan em seu blog. "O nível de atenção que os candidatos estão recebendo é simplesmente inacreditável. Eles não são profissionais, e sim amadores de quem nunca ninguém havia ouvido falar há algumas semanas."

No fim das contas, a produção do programa veio a público afirmar que está tudo confirmado para a final, embora a tensão tome conta do Reino Unido. Boyle estaria no momento em um local isolado, segundo a rede BBC, longe do assédio dos curiosos, e há relatos de que teria treinado diariamente até de madrugada em um hotel de Londres.

Apesar de competir hoje com dançarinos, um saxofonista e até uma dupla de comediantes na terceira temporada do "Britain's Got Talent" ¿ trata-se, afinal, de um programa de variedades ¿, seu principal concorrente é o garoto de origem iraniana Shaheen Jafargholi, de 12 anos, que divide com ela a preferência do público. A rivalidade tem rendido desafetos (como a cantora Lily Allen) e provocado debates acalorados pelas ruas do Reino Unido.

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Depois de confusão com jornalistas, cantora se prepara para final em local isolado

O vencedor será escolhido por meio de votos dos jurados e dos espectadores, através do telefone. No fim das contas, não vai importar quem acabar com o prêmio de 100 mil libras e a honrosa chance de se apresentar para a rainha Elizabeth II, pois uma coisa parece certa: Susan Boyle tem um caminho milionário e estrelado pela frente. Tudo por causa do público, que quer que a "voz de anjo" tenha um final feliz, digno de cinema.

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